Vídeo mostra congressista ligada ao movimento QAnon assediando sobrevivente do massacre de Parkland

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(ARQUIVO) A congressista republicana da Geórgia, Marjorie Taylor Greene, nas escadas do Capitólio em Washington, DC em 4 de janeiro de 2021

Uma congressista recém-eleita nos Estados Unidos e conhecida por promover teorias da conspiração do movimento QAnon aparece em um vídeo assediando o jovem David Hogg, um dos sobreviventes do tiroteio que deixou 17 mortos em uma escola em Parkland, Flórida.

Após o massacre de 14 de fevereiro de 2018, Hogg, um aluno do último ano do ensino médio, tornou-se um dos alunos mais ativos do movimento anti-armas que mobilizou jovens em todo o país.

A nova representante da Geórgia, Marjorie Taylor Greene, promoveu falsas teorias, segundo as quais, o massacre de Parkland, assim como o massacre de Las Vegas - que deixou 61 mortos em outubro de 2017 - seriam um complô dos ativistas anti-armas para justificar uma legislação que as proíba.

No vídeo, Hogg caminha ao lado de outros jovens em Washington, quando Greene se aproxima e o hostiliza por pelo menos dois quarteirões.

"Eu tenho uma arma, tenho permissão para portar armas, para me proteger, para mim, e você está usando seu lobby e o dinheiro por trás dele para tirar meus direitos", grita a congressista da Geórgia.

O vídeo, de data incerta, foi relembrado na quarta-feira no Twitter por Fred Guttenberg, cuja filha Jamie, de 17 anos, foi morta no ataque à Escola Marjorie Stoneman Douglas em Parkland, ao norte de Miami.

As imagens foram publicadas na conta de Greene no YouTube em 21 de janeiro de 2020.

"Eu era apenas um estudante do ensino médio implorando aos legisladores para impedirem que massacres como os da minha escola acontecessem novamente, e Marjorie Taylor Greene, uma adulta, uma conspiradora radicalizada, me assediou", disse Hogg, de 20 anos, em um comunicado.

"Todos os dias, sobreviventes como eu nos vemos forçados a confrontar nosso trauma para poder lutar em nome dos que não podem fazê-lo porque foram assassinados por culpa da recusa de pessoas como Marjorie Taylor Greene a proteger as crianças em vez das armas".

Greene também adota as teorias da conspiração da QAnon, uma organização que acredita - sem qualquer evidência - que o ex-presidente Donald Trump está liderando uma guerra secreta contra um culto satânico de pedófilos.

Hogg é um dos líderes do movimento nacional March For Our Lives, que desde o massacre de Parkland defende um maior controle de armas em um país onde massacres em massa são frequentes, geralmente com rifles de guerra. Eles são vendidos em lojas ou online com pouca ou sem verificação de antecedentes.

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