Vídeo mostra momento dos tiros em festa que culminou nas mortes de guarda municipal petista e do agressor

Um vídeo captado pela câmera de monitoramento do local da festa de aniversário — temática do PT — do guarda municipal Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu (PR), mostra o momento em que ele se defendeu do ataque a tiros de José da Rocha Guaranho na noite deste sábado.

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Marcelo Arruda, ex-candidato a vice-prefeito na chapa do PT de 2020 , foi alvo de um simpatizante de Jair Bolsonaro, conforme acusa o partido, que divulgou nota sobre o caso na manhã deste domingo.

Outras imagens mostram a decoração da festa, na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, com fotos de Lula e do PT. Arruda, que era o tesoureiro do partido no município, comemorava seus 50 anos. Ele deixa quatro filhos, sendo uma bebê de um mês. Segundo os relatos divulgados pelo partido, um policial penal chamado José da Rocha Guaranho teria feito ameaças aos presentes, com gritos em defesa de Bolsonaro, mesmo com sua esposa ao lado pedindo para que ele parasse.

'Aqui é Bolsonaro'

Procurada, a Polícia Civil do Paraná confirmou a morte, após "uma discussão em uma festa de aniversário". A Delegacia de Homicídios está apurando o caso, diz a polícia, "para maiores esclarecimentos da motivação do crime."

O GLOBO teve acesso ao Boletim de Ocorrência registrado na 6ª Subdivisão Policial de Foz de Iguaçu. No texto, os policiais narram que chegaram ao local e encontraram as vítimas caídas no chão. As testemunhas, todas presentes à festa de aniversário, contaram aos agentes que Jorge José da Rocha Guaranho chegou ao local em seu carro, onde também estavam sua esposa e sua filha, uma criança de colo. Ao descer do veículo com arma em mãos, ele gritou "Aqui é Bolsonaro" na direção das pessoas.

Cerca de 20 minutos depois, Guaranho retornou, dessa vez sozinho, e ainda armado. Neste momento, tanto Marcelo Arruda quanto a sua esposa se identificaram mostrando seus distintivos, de guarda municipal e policial civil, respectivamente, além de suas próprias armas funcionais. Ainda assim, Guaranho disparou dois tiros em Marcelo, que revidou com disparos. Os dois foram encaminhados para o hospital, mas Marcelo não resistiu. Ao contrário do que foi informado anteriormente pela polícia, o agente penal Jorge José não morreu e está no hospital sob custódia. Seu estado de saúde é estável. O BO também informa que os responsáveis pela sede do evento se comprometeram a disponibilizar as imagens das câmeras de monitoramento.

Procurado, o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) informou que "o caso está sendo investigado pelas autoridades competentes locais em razão de suas circunstâncias e que se solidariza com os familiares e amigos dos envolvidos". Guaranho trabalhava na Penitenciária de Catanduvas.

Lula e Gleisi se manifestam

Desde a manhã deste domingo, com a divulgação do caso, diversos políticos se manifestaram, como o próprio ex-presidente Lula. O PT fez uma postagem falando se tratar de "um dia tráfico para o Brasil" e divulgou uma nota com o título "Violência bolsonarista: Líder do PT em Foz do Iguaçu é assassinado". Fernando Haddad, Randolfe Rodrigues e Guilherme Boulos foram outros políticos que também se manifestaram nas redes.

"Antes de ser assassinado com três tiros pelo policial penal fascista que o abordou no estacionamento, Marcelo tentou ainda se defender com a arma funcional que tinha em seu carro e reagiu. O assassino de Marcelo também veio a falecer. Marcelo, no seu ato derradeiro e heróico, salvou inúmeras vidas, pois o fascista também ameaçava e poderia ter assassinado a todos na festa, inclusive a sua família", informa a nota do PT, assinada por Gleisi Hoffmann, presidenta Nacional do partido, e Abdael Ambruster, Coordenador Nacional do Setorial de Segurança Pública do PT.

Imagens registraram o momento do canto de parabéns na festa de aniversário, como último registro da vida de Marcelo Arruda. Em suas redes sociais, Lula também se manifestou sobre o ocorrido.

"Cobramos das autoridades de segurança pública medidas efetivas de prevenção e combate à violência política, e alertamos ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal para que coíbam firmemente toda e qualquer situação que alimente um clima de disputa violenta fora dos marcos da democracia e da civilidade. Iniciativas nesse sentido foram devidamente apontadas pelo PT em várias oportunidades, junto ao Congresso Nacional, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Marcelo, não esqueceremos de você, em sua memória continuaremos na luta contra a violência, a injustiça e a intolerância. Presente, hoje e sempre! ", finaliza o PT em sua nota, que acusa a "violência bolsonarista" como culpa pelo assassinato.

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