Vídeo mostra momento que surfista Felipe Cesarano colide contra carro de sargento, morto em acidente

Marjoriê Cristine e Gisele Barros
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Foto: Reprodução

Um vídeo obtido pelo EXTRA mostra o momento exato da colisão envolvendo o carro do surfista Felipe Cesarano e o veículo conduzido pelo sargento da Marinha Diego Gomes da Silva, de 36 anos. As imagens foram registrados pelo circuito interno de um condomínio localizado em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Cesarano estava embriagado ao volante e invadiu uma das pistas da Autoestrada Lagoa-Barra na contramão. Diego morreu no local.

O acidente ocorreu no início da manhã de quarta-feira (16). O surfista estava sozinho dentro da caminhonete, no sentido Zona Sul. Ele subiu no separador da via e bateu de frente com o carro de Diego. No vídeo, é possível conferir que o impacto da batida faz com que o veículo vire para o sentido contrário da pista e a parte frontal fica destruída.

A Justiça decretou na tarde desta quinta-feira a liberdade provisória de Felipe Cesarano. Na decisão, o juiz Alex Quaresma Ravache, do Tribunal de Justiça do Rio (TJR), ressalta que apesar da "extrema reprovabilidade da conduta" de Cesarano, "trata-se de delito culposo, o qual não está inserido no rol dos crimes que admitem a prisão preventiva".

O juiz salienta também que "ainda não é conhecida a dinâmica do evento. Nesta fase embrionária, em que sequer está concluída a perícia do local requisitada, não é possível presumir o dolo eventual, cabendo ressaltar neste ato o Ministério Público, órgão de acusação, entendeu se tratar de delito culposo. Ademais, o custodiado é primário, sem nenhuma anotação em sua FAC e o Ministério Público, titular da ação penal, pediu a soltura do custodiado. Desse modo, ao menos neste momento inicial, não se vislumbra os requisitos da prisão preventiva".

Cesarano está proibido de dirigir, bem como acessar e frequentar casas noturnas, bares e quaisquer locais onde sejam vendidas bebidas alcoólicas para consumo imediato. Os surfista também deve comparecer mensalmente ao Cartório da 23ª Vara Criminal da Comarca da Capital e está proibido de se ausentar do local onde mora por mais de 10 dias, sem prévia autorização judicial.O descumprimento de qualquer das medidas pode acarretar em prisão preventiva.

A Polícia Civil tem dez dias para apurar as circunstâncias do caso e testemunhas ainda serão ouvidas na 15ª DP (Gávea). Os agentes já buscam câmeras de segurança que mostram o momento da colisão e onde o surfista estava antes de bater e matar o sargento. Também será apurado se houve prática de algum outro crime.

O delegado Daniel Rosa, titular da 15ª DP conta que o atleta afirmou durante depoimento que não se lembrava o quanto havia consumido de álcool naquele dia.

— Foi feito o teste de alcoolemia no IML, que testou positivo. Ele fez exame clínico sem sangue. Os peritos constataram que ele estava bêbado. Mas na realização da perícia, ele deu gargalhadas durante a elaboração do laudo. Ainda se mostrou indiferente ao resultado e à tragédia que aconteceu, o que traz para nós uma certa surpresa pela falta de humanidade diante desse fato — ressaltou Daniel Rosa.