Vídeo mostra a movimentação de criminosos em direção a uma comunidade da Zona Oeste do Rio

Em uma semana em que a Zona Oeste do Rio é alvo de uma guerra entre a milícia e o tráfico, a comunidade da Chacrinha, na Praça Seca, teve mais uma noite de intenso tiroteio. Informações preliminares da Polícia Civil indicam que criminosos iam em direção ao Morro do Bateau Mouche, também na região. A polícia não sabe ainda, porém, se o caso se trata de mais uma guerra entre grupos paralimitares e traficantes. Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Militar reforçou a segurança na região.

Guerra na Zona Oeste: Tráfico avança sobre favelas e mira Rio das Pedras, berço da milícia na cidade

Ação na Zona Oeste: Polícia Militar realiza operações na Gardênia e na Cidade de Deus

Em vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ouvir tiros no interior da comunidade. Em outro, um grupo de ao menos dez homens armados são vistos correndo pelas ruas da comunidade. Agentes do 18ºBPM (Jacarepaguá) foram informados da movimentação na região e reforçaram o policiamento. Segundo a Polícia Civil, policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE) estão nas ruas investigar o caso.

Operações da Polícia Militar

A Polícia Militar realiza, nesta manhã, operações nas comunidades da Gardênia Azul e da Cidade de Deus, ambas também na Zona Oeste da cidade. A região é alvo de uma guerra entre milicianos e traficantes há pelo menos uma semana. Segundo a PM, as ações visam a coibir movimentações criminosas, assim como roubos de veículos e de carga.

Na Cidade de Deus, atuam agentes do 18º BPM (Jacarepaguá), com o reforço de outros dois batalhões e blindados. Até o momento, dois homens foram presos. A PM apreendeu dois fuzis, uma granada, drogas e uma réplica de pistola na comunidade. Já na Gardênia Azul, a ação é feita por policiais do Batalhão de Choque.

Tráfico avança na Zona Oeste

A maior facção do Rio tem se articulado para tomar favelas em Jacarepaguá e no Itanhangá que sempre estiveram sob o controle da milícia. Dominada por paramilitares há mais de 30 anos, a Gardênia Azul já teria perdido espaço para traficantes da Cidade de Deus. A Polícia Civil investiga a informação de venda de drogas na localidade. Numa outra ponta, bandidos da Rocinha teriam avançado pela mata e conseguido chegar à Muzema no fim de semana. Mas a maior batalha deve ser para dominar Rio das Pedras, motivo de cobiça por ser o berço da milícia na cidade. A Polícia Militar reforçou a segurança na região e nas comunidades de onde estariam partindo os invasores, para assegurar “o direito de livre circulação”.

Nas redes sociais, moradores da Gardênia Azul relatam que traficantes impuseram o toque de recolher. Além disso, circulam fotos de drogas com a inscrição da facção do tráfico na embalagem. Ao GLOBO, uma mulher que vive na comunidade disse que, nos últimos dias, os invasores avisam que não serão mais feitas cobranças de taxas, prática comum entre os paramilitares. A Polícia Civil investiga as informações, mas não houve nenhuma apreensão de entorpecentes na favela. Policiais dos batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope) e do Choque estiveram ontem na Cidade de Deus, onde manifestantes interditaram com barreiras em chamas a Estrada Miguel Salazar Mendes de Morais, uma das principais da região.

— Os moradores (da Gardênia) estão apavorados. Não sabemos bem quem é quem. Se é miliciano, traficante. O clima é de total tensão — relata a moradora da Gardênia, que prefere não se identificar.

Vídeo: Manifestação na Cidade de Deus interdita a Estrada Miguel Salazar; moradores relatam tiros no local

Aliança com expulsos

Uma das hipóteses investigadas pela polícia é de que a quadrilha da Cidade de Deus tenha se juntado a milicianos, expulsos da Gardênia no fim do ano passado. No lugar, assumiram paramilitares de Curicica, também na Zona Oeste, que continuam dominando a comunidade. Os milicianos expulsos teriam buscado ajuda do tráfico após terem perdido o apoio de Luiz Antônio da Silva Braga, o Zinho, um dos principais chefes dos paramilitares no Rio.

— Que há uma intenção do Comando Vermelho de tomar, não há dúvidas. Mas ainda estamos levantando os dados para saber o que está ocorrendo de fato. Há muitas informações em redes sociais. Tráfico e milícia trabalham muito com contrainformação, principalmente os milicianos. É uma tática atual das organizações — disse o delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), André Neves, que investiga a movimentação das quadrilhas.