Vídeo: Onça-parda é flagrada no Parque Estadual dos Três Picos

Um exemplar de onça-parda foi encontrado por armadilhas fotográficas instaladas pelo projeto Aventura Animal, em parceria ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. Símbolo do Parque Estadual dos Três Picos, onde foi vista, é o segundo maior felino do continente americano. No último ano e meio, foram 14 registros da onça-parda nessa área, de pelo menos quatro indivíduos diferentes.

Segundo o órgão, a espécie (puma concolor), no entanto, está ameaçada pela expansão da presença humana em seu habitat natural. Os registros foram feitos por uma das vinte armadilhas fotográficas espalhadas pelo parque e são “extremamente importantes para a observação e identificação de espécies e indivíduos”, segundo o Inea.

Por meio da utilização destas armadilhas, é possível descobrir a quantidade de exemplares da espécie no local, bem como seus hábitos alimentares e até mesmo se são animais solitários ou se vivem em grupo.

Além disso, segundo o Instituto, a presença da onça-parda na região mostra a “existência de um ecossistema equilibrado e saudável dentro da unidade de conservação”, o que favorece a permanência e preservação da espécie no local.

Também conhecida como suçuarana, a espécie já foi considerada extinta por mais de um século na área litorânea do Rio, mas foi flagrada por armadilhas fotográficas localizadas nas florestas do Refúgio da Vida Silvestre de Maricá (Revimar).Hoje encontra-se em quantidade reduzida nas matas Brasil afora.

— As populações estão aparentemente em declínio, por isso, em ameaça de extinção. Com redução da caça e adaptação à presença humana, elas passaram a incursionar por áreas urbanas. Apenas estudos mais longos poderão trazer novas respostas aos fatos. Mas em outras partes do continente americano elas estão cada vez mais próximas. Tudo indica que elas voltaram a frequentar as matas do Rio — explica o biólogo e professor da Uerj Jorge Pontes.

A onça-parda é a espécie que mais chega na borda das residências. A proximidade é tamanha, que o fundador do projeto Aventura Animal, Juran Santos, constatou, através da observação das imagens coletadas, que a existência de uma trilha dentro da mata, por exemplo, não interferiu na frequência desses animais. No Pico do Caledônia, no Parque Estadual dos Três Picos, há registros de onça-parda na trilha feita por visitantes.

— Um grupo de três pessoas estava descendo a trilha à noite, depois de ver o pôr do sol e passou pela câmera às 20h20. Pouco antes deles, às 20h05, a onça-parda havia parado em frente à mesma câmera, respirou em cima, marcou território e saiu da trilha. Quinze minutos depois que o pessoal desceu, ela entrou na trilha mais acima e apareceu em outra câmera, subindo — relatou Juran.

A onça-parda se alimenta de animais silvestres de portes variados e exerce papel vital na manutenção da integridade dos ecossistemas onde ocorre. A espécie tem a capacidade de adaptação a vários tipos de ambientes, suportando calor ou frio, e costumam ter maior atividade ao entardecer e à noite, quando são mais comumente flagradas.

Gato-do-mato-pequeno, quati, cachorro-do-mato, jaguatirica e gato-maracajá são outras espécies monitoradas pelo projeto Aventura Animal. Hoje existem 60 câmeras distribuídas em Bom Jardim, Cordeiro, Colombinho (Santa Maria Madalena), e na Reserva Ecológica RPPN Rio Bonito de Lumiar. Todos esses locais têm registro da onça-parda. Caso se depare com uma, a recomendação, segundos os especialistas, é manter a distância.

— Se encontrar o animal, mantenha distância, nunca tente se aproximar. Se o animal se abrigar dentro da residência ou se encontrar na área urbana, não tente conter o animal. É importante lembrar que caça ou qualquer tipo de agressão é crime ambiental com agravante, porque a espécie está na lista das ameaçadas. — orienta Jorge Pontes.

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