Vídeo: veja como ficou o interior do Hospital Federal de Bonsucesso após incêndio

Luana Dandara
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O Corpo de Bombeiros trabalha há mais de 48 horas no rescaldo do incêndio que atingiu o Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), na terça-feira, e deixou quatro mortos. Imagens gravadas no interior da unidade e divulgadas nesta quinta-feira mostram a destruição no subsolo da unidade e a ação da corporação no local.

Nos vídeos, é possível ainda ver focos de fumaça no local e parte da fiação elétrica danificada. Entulhos em cima dos móveis e no chão aparecem sendo retirados pelos bombeiros. A previsão da corporação é que o trabalho no HFB termine na sexta-feira.

Drama: Hospital de Bonsucesso tem atendimentos suspensos e recebe somente pacientes com diálises marcadas

O fogo começou no prédio principal (chamado de prédio 1). Naquela que é uma das maiores unidades públicas de saúde do Estado do Rio, teve início um trabalho de esvaziamento do edifício com incontáveis cenas de improviso: doentes acamados eram levados para o galpão de uma loja de pneus, enfermeiros enrolavam em lençóis e carregavam nos braços aqueles que não podiam esperar a remoção de seus leitos, parentes de pessoas internadas ajudavam a pegar os equipamentos médicos que elas tanto precisavam.

Quatro pessoas morreram. Uma idosa de 73 anos chegou a ser transferida para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, mas não resistiu na noite desta quarta-feira, dia 28. Duas outras pacientes, com quadro grave de Covid-19, também morreram. A primeira, Núbia Rodrigues, de 42 anos, era radiologista em outra unidade e havia sido internada com sintomas da doença há poucos dias, após passar por atendimento em duas UPAs. Ela não resistiu à transferência para o Hospital municipal Ronaldo Gazolla. A segunda vítima confirmada da tragédia, uma senhora que teria 83 anos, também tinha diagnóstico de coronavírus. Transferida para o CTI da maternidade do hospital, ela também acabou morrendo, com uma infecção pulmonar.

Depois de ser seriamente afetado pelo incêndio, o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB) vai fechar as portas por tempo indeterminado a partir do dia 1º de novembro. A afirmação é do diretor do corpo clínico da unidade, o médico Júlio Noronha. Os funcionários da unidade deverão entrar em férias coletivas nos próximos dias, com exceção de 22 médicos dos setores de Nefrologia e Transplante, que serão aproveitados no Hospital Federal da Lagoa.

Atualmente, entre servidores e médicos estatutários, o HGB conta com 3.500 profissionais. Já os terceirizados são mais de dois mil. A stituação deles ficará a cargo de cada empresa contratante.

O GLOBO apurou que a proposta de conceder férias coletivas aos profissionais partiu da direção do HGB, que se reuniu com o corpo clínico na tarde desta quarta-feira. Também ficou definido que o hospital permanecerá fechado até que uma análise seja elaborada pelo Ministério da Saúde. Ou seja, não há prazo para reabertura. É que existe risco de novos incêndios em outros setores da unidade.

Tragédia anunciada

Júlio Noronha conta, ainda, que desde a fundação do hospital, em 1948, nunca houve uma reforma ou manutenção nas instalações elétricas da unidade. Ele citou o relatório da Defensoria Pública da União, elaborado no ano passado, que apontava o risco iminente de incêndio. Também disse que o então diretor-geral do hospital, Paulo Roberto Cotrim, teria solicitado providências ao Ministério da Saúde

— A coisa dantesca e marcante foi o relatório da Defensoria que disse que estávamos sentados em um barril de pólvora, pois os transformadores poderiam explodir. Naquela época, o Paulo Cotrim, mandou um relatório para o Ministério da Saúde pedindo a reforma e a modernização da parte do subsolo e da parte elétrica — lembrou.

Para o diretor do corpo clínico do HGB, a tragédia foi anunciada.

— Já era esperado. Só não sabíamos que seria tão rápido assim. A questão do Ministério da Saúde saber o que estava acontecendo e não fazer nada causou uma grande revolta. Muita revolta. Não imaginávamos que seríamos agora. Fiquei chateado e fiquei triste — concluiu.

Veja a nota do Ministério da Saúde:

O Ministério da Saúde informa que determinou a abertura de sindicância para apurar as causas que levaram ao incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso, na capital fluminense, nesta terça-feira (27).

A prioridade, no momento, é garantir o atendimento em segurança da população, uma vez que as consultas e exames laboratoriais no complexo estão temporariamente suspensos. Para isso, a pasta disponibilizará toda a estrutura de saúde da rede federal do Rio de Janeiro, de forma que não haja prejuízo na assistência.

Cabe ressaltar que, por se tratar de uma construção predial de 70 anos, o complexo de Bonsucesso deve passar por uma modernização para atender a legislação atual, sendo que há projetos em andamento para realizar uma série de reformas. No ano passado, foram repassados R$ 1,8 milhão de verba suplementar para a modernização da unidade.

Importante esclarecer, ainda, que a Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro avalia conceder férias aos servidores que já tenham o período vencido e remanejar os demais profissionais a outras unidades de saúde da rede federal.

A pasta lamenta profundamente a morte dos três pacientes que estavam internados no HFB e se solidariza aos familiares e amigos das vítimas.