Vítima de casal na Bahia relembra crime de 20 anos atrás e reage à prisão: 'Finalmente'

Louise Queiroga
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A vítima do casal preso na Bahia nesta quarta-feira, dia 24, por um crime cometido há 20 anos, relembrou o sequestro que sofreu e comentou sobre a inesperada novidade de que Leandro Silva Troesch e Shirley da Silva Figueredo — já condenados — foram enfim localizados pelas autoridades. O caso chamou antenção nacional principalmente devido ao alto padrão de vida que eles vinham levando. Leandro e Shirley são donos de pousadas de luxo na Praia dos Garcês, no município de Jaguaripe, no Recôncavo Baiano, uma região turística que atrai inclusive vários famosos.

— Saber que eles foram presos é bom, agora depois de 20 anos, não. A prisão tem sentido porque eles têm que ser punidos e cumprir a pena deles. Depois de 20 anos é um pouco demais, né? — afirmou a vítima, que preferiu não expor sua identidade.

— Saber que eles foram presos... — começou a dizer, antes de uma longa pausa, para então completar: — Finalmente.

Em entrevista ao EXTRA, a vítima destacou que não se interessou por pensar no crime "ao longo desse período inteiro". Mesmo antes de receber uma cópia do processo contendo as condenações, ela já tratava todo aquele assunto como algo pertencente ao passado em sua vida.

— Eu recebi uma cópia do processo com as condenações e tudo. Dei uma olhada, não sei quando foi que eu recebi isso, mas pra mim já era passado. Eu não tive o menor interesse em procurar saber se eles estavam presos, se estavam soltos, nada disso. Eu procurei seguir minha vida e ponto final — contou.

Apesar disso, enfatizou que aprova o cumprimento da sentença:

— Errou, eu acho que tem que pagar, então está certo, paciência. Vão pagar por seus erros, mesmo depois de tanto tempo.

Embora não tenha sofrido lesões no corpo, se lembrou de ter sido alvo de violência psicológica. Apesar do susto e do medo que sentiu, principalmente após os criminosos terem pego seu dinheiro, ela destacou que procurou não pensar sobre isso nas duas décadas que se seguiram, preferindo seguir em frente com sua vida ao lado de sua família.

— Na hora de me libertar, foi quando senti mais medo porque eles já estavam com o dinheiro na mão — afirmou.

De acordo com seu relato, o plano de um sequestro relâmpago acabou derivando para um sequestro com resgate depois que a dupla viu seu saldo bancário.

— Então, para me proteger da situação, eu o tempo inteiro não quis ver ninguém. Depois eu não pude reconhecer ninguém porque eu abaixei minha cabeça, fechei meus olhos e não quis ver ninguém em momento nenhum. Agir assim me deu segurança e uma perspectiva de voltar e rever meus filhos, na época meus filhos tinham 3 e 6 anos.

Ela contou que não entrou em contato direto com o casal Leandro e Shirey durante a ação criminosa. Segundo ela, o casal serviu de apoio a outro envolvido no caso, identificado no processo como Joel.

— Eu só tive contato com Joel e Carlos Alberto, que tomaram meu carro para fazer os saques — disse.

No final do sequestro, quando seus pertences e dinheiro já estavam sob posse dos criminosos, a vítima contou se lembrar de ter ouvido vozes, incluindo a de uma mulher, no momento em que seria feita a divisão do material roubado.

— Houve uma certa discussão na hora da divisão. Eu estava na casa ainda, no quarto. Ouvi que eles discutiram para resolver algumas questões depois que já estavam com o dinheiro na mão. Essa hora foi que eu fiquei um pouco apavorada — narrou.