Vítima de desabamento em Rio das Pedras segue internada em estado grave

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RIO - A jovem Maria Quiara Abreu, de 26 anos, vítima de desabamento em Rio das Pedras, segue internada em estado grave, como informou nesta segunda-feira a Secretaria municipal de Saúde. Ela morava no edifício residencial, cuja construção é irregular, que veio abaixo na madrugada da última quinta-feira. O marido dela, Natan de Souza Gomes, de 30 anos, e a filha, Maitê Gomes Abreu, de apenas 2 anos, morreram na tragaédia. O imóvel foi construído por Genivan Gomes Macedo, sogro de Quiara, para abrigar sua família.

Pai e filha foram enterrados na tarde de sexta-feira, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Maria Quiara está internada no CTI do Hospital Municipal Miguel Couto, para onde foi levada de helicóptero pelos bombeiros após ser resgatada.

Quando o prédio desmoronou, ela estava com a filha nos braços. A jovem ficou presa nos escombros pelos quadris e pernas, e precisou passar por cirurgias. Já Natan foi encontrado sem vida após nove horas de buscas entre o que sobrou da construção. Duas horas depois, por volta das 10h20, bombeiros conseguiram retirar o corpo de Maitê.

Prédio da família

Em 1986, Genivan Gomes Macedo, com 18 anos, recebeu dos pais, agricultores em Novo Oriente, no sertão do Ceará, a missão de conseguir um emprego para ajudar nas despesas da casa. O jovem entrou em um ônibus e desembarcou três dias depois no Rio de Janeiro, onde já estavam seus dois irmãos mais velhos. Na cidade, conseguiu uma vaga como vigia de uma construtora, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste. Ele dormia no alojamento e, todo mês, enviava o salário que recebia à família.

Seis anos depois, Genivan deixou a firma e passou a trabalhar como vendedor de água. Conheceu então a ex-mulher e, com ela, teve um casal de filhos e foi morar em Rio das Pedras, também na Zona Oeste. Com as economias, conseguiu comprar um terreno onde havia um barraco de madeira, na Rua das Uvas, há mais de duas décadas. Aos poucos, juntou material de construção, alguns pedreiros que diz nem sequer lembrar os nomes e começou a construir um prédio para abrigar a todos.

Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), no inquérito aberto para apurar o desabamento do edifício, o comerciante chorou e lamentou a tragédia. “Eu trabalhei a vida inteira e só queria deixar um lugar para os meus filhos morarem”, contou. Ele perdeu o primogênito, Natan, além da neta.

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