Vítima de incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso atuava no combate à Covid-19 até ser infectada pelo novo coronavírus

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Parentes de pacientes rezam em frente ao Hospital de Bonsucesso
Parentes de pacientes rezam em frente ao Hospital de Bonsucesso

Duas das três pessoas que morreram em decorrência do incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) estavam internadas na unidade para tratar complicações da infecção pelo novo coronavírus. Uma delas, a técnica em radiologia Núbia Rodrigues, de 42 anos, antes de ser vítima da pandemia estava no front, atendendo a população. Ela começou a apresentar sintomas na quarta-feira da semana passada, dia 21. Em estado gravíssimo, a paciente foi retirada às pressas do leito logo após o início do fogo, mas não resistiu. Com 75% dos pulmões comprometidos, já tinha passado pelas UPAs da Penha e de Mesquita. O filho dela, Patrick Machado, soube da morte da mãe por telefone, através de uma pessoa conhecida que estava dentro do hospital. A mulher que o acompanhava desmaiou na porta do HFB, em meio ao vaivém de ambulâncias e pessoas em busca de informação.

— Infelizmente, ela não resistiu. Ela não tinha nenhuma comorbidade, mas essa doença não escolhe idade — afirmou o filho de Núbia.

Diretor do corpo clínico do Hospital Federal de Bonsucesso, o médico Júlio Noronha voltava ao trabalho presencial ontem, depois de meses afastado por ser de grupo de risco para Covid-19. Ele elogiou a ação rápida dos colegas.

— A fumaça subiu muito rapidamente através do duto de ar-condicionado. Apesar do caos, os profissionais correram, improvisaram camas com lençóis e retiraram todos — afirmou Noronha.