Vítima de paralisia facial, repórter produz documentário sobre o tema e concorre a prêmio em festival

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Em 2013, a repórter da TV Globo, Gabriela de Palhano, viu sua vida mudar. Por conta do vírus da catapora, ela teve paralisia facial, condição que atinge milhares de pessoas. Na época, a jornalista conta que mal conseguia andar sozinha, ficava muito tonta e "todos os barulhos pareciam uma caixa de som no ouvido". Passados oito anos, a realidade hoje é bem diferente:

— Tratei aqui no Brasil com fisioterapia convencional. E depois de 3 anos, acabei indo fazer um tratamento gratuito que me foi oferecido na Holanda. Lá, eu reaprendi a ouvir o lado emocional do cérebro, já que, depois de tantos exercícios, o lado racional estava sobreposto e atrapalhava os movimentos naturais da expressão. Hoje, posso dizer que me recuperei completamente. O que ficou não passa de charme (risos). Para me lembrar sempre tudo que houve.

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Uma vez por ano, Gabriela ainda vai para a Holanda para manutenção. Ano passado, por conta da pandemia, as sessões foram virtuais. Em 2022, a jornalista pretende voltar a Europa, já que, "tratar disso faz bem para a alma", como ela mesma descreve.

Motivada por tudo que enfrentou desde o susto com a descoberta, a repórter idealizou a série documental "Smiling eyes", que, em três episódios, conta histórias de pessoas que também perderam movimentos do rosto.

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— Eu demorei três anos para perceber o quanto a paralisia me transformou, eu que sempre trabalhei com Comunicação de uma hora para outra tive dificuldade em me expressar. Conhecer outras pessoas que tiveram paralisia facial me fez perceber o quanto essa transformação foi profunda, todos sofreram, mas saíram pessoas mais fortes e com mais empatia, pessoas melhores, com mais para oferecer para o outro e para o mundo — conta Gabriela.

Dirigida por Paulo Mendel, a série está concorrendo em quatro categorias do Rio Web Fest 2021: melhor direção, melhor série de variedades, melhor série de diversidade e júri popular. O festival acontece de hoje até domingo e tem programação gratuita voltada para criadores e interessados em conteúdos de web do mundo todo.

— O Rio Web fest é um encontro de criadores de conteúdo. Em 2017, ele se transformou no maior evento internacional do mundo na categoria, o mais inclusivo. Há uma amostra competitiva no festival, um prêmio de relevância. Somos produtores independentes e a maior valia do evento é a qualidade dos conteúdos que ele recebe e o encontro que possibilita — explica o fundador e coordenador geral do festival, Daniel Archangelo.

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— É impressionante a repercussão do documentário no festival e numa categoria tão concorrida como é não ficção, melhor ainda que a série foi indicada por variedade e diversidade — diz Gabriela.

O evento acontece presencialmente na Cidade das Artes e, além das premiações, oferece palestras, oficinas, eventos de gala, dentre outras atividades. A programação também é transmitida on-line no site www.riowebfest.net.

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