Vítima de violência sexual recebe Bíblia dentro de hospital de referência para o aborto legalizado

·2 minuto de leitura

SÃO PAULO — Uma mulher, vítima de violência sexual, recebeu uma Bíblia dentro do Hospital Perola Byington, na última quarta-feira (18). Ela estava em processo de atendimento para realizar a interrupção de uma gravidez, em decorrência do crime. A instituição reconhece o caso e diz que “lamenta” o episódio.

A mulher denunciou a entrega indevida ao projeto Milhas pela Vida das Mulheres, um conselho que oferece informações sobre o abortamento legal no Brasil e no exterior. A iniciativa acompanhava o caso da mulher desde antes do episódio no Pérola.

Ao grupo, ela afirmou que as mulheres que entregaram as Bíblias estavam uniformizadas e não perguntaram se ela gostaria de receber o artigo, apenas entregaram. Tudo ocorreu no setor de ultrassom.

— Não eram duas ou três (Bíblias) na mão, eram caixas. Não sabemos o tamanho disso, mas estamos entrando com uma manifestação no Ministério Público — diz Juliana Reis, roteirista, e fundadora do projeto.

Juliana afirma que a mulher está bem, apesar do ocorrido. Ela relatou ao grupo um incômodo com a entrega da Bílbia. A mulher procurou ajuda do grupo ao detectar uma gravidez fruto de violência sexual dentro do próprio casamento.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL) afirmou, em suas redes sociais, que protocolou um ofício junto ao hospital para averiguar o caso.

Hospital diz que ‘lamenta’

O Hospital Pérola Byington faz parte da rede pública de Saúde do estado de São Paulo e é referência em saúde da mulher. Portanto, é procurado por diversas pacientes que buscam o procedimento de interrupção de gravidez de maneira legalizada — previsto pela lei brasileira para os casos de violência sexual, risco de vida para a gestante e anencefalia fetal.

Em nota enviada pela Secretaria de Saúde de São Paulo, é dito que o Pérola “lamenta o desconforto e repudia qualquer atitude contrária à liberdade de consciência e de crença quanto o caráter laico de instituições públicas, previstos em Constituição”.

Também é dito que “para que situações como esta não se repitam em nenhum setor do hospital, a direção do Hospital Pérola Byington realizou nova reunião com profissionais e voluntários do setor de humanização e capelania hospitalar, reforçando a obrigatoriedade do cumprimento das normas estabelecidas pelo serviço, que respeita as escolhas individuais de suas usuárias e, justamente por isso, não permite a distribuição de panfletos ou livros”. Por fim, a nota diz que o Pérola Byigton considera “inadmissível qualquer coação às suas pacientes”.

Segundo a direção, a distribuição da Bíblia ocorreu no setor de ultrassom “que atende pacientes acompanhadas por diversas frentes de atendimento, incluindo a oncologia e mulheres assistidas no Ambulatório de Violência Sexual do Programa Bem me Quer”.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos