Vítimas do 11/9 criticam evento saudita em campo de golfe de Trump

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Para Brett Eagleson, o campeonato de golfe patrocinado pela Arabia Saudita no Trump National é uma afronta por ser realizado a poucos quilômetros de onde um grupo de terroristas sauditas matou seu pai há mais de duas décadas.

"É muito desrespeitoso, ofensivo e doloroso" disse à AFP Eagleson, que tinha 15 anos quando seu pai morreu sob os escombros do World Trade Center em 11 de setembro de 2001.

O campo de golfe do ex-presidente Donald Trump em Bedminster, Nova Jersey, a cerca de 80 quilômetros do Marco Zero sedia a terceira edição do campeonato LIV neste fim de semana.

Ao lado de Eagleson, outros familiares de vítimas e sobreviventes aos ataques do Al Qaeda, que mataram 3.000 pessoas, protestaram nesta sexta-feira do lado de fora do campo que recebe o torneio por três dias.

O grupo "11/9 Justiça" acusa a Arábia Saudita de cumplicidade nos atentados, o que o governo saudita nega.

Quinze dos 19 terroristas implicados nos atentados em Nova York e Washington eram cidadãos sauditas. Um relatório do FBI publicado no ano passado sugere a implicação oficial saudita.

O próprio Trump afirmou em 2016, durante a campanha presidencial, que a Arábia Saudita foi responsável pelo ataque, sem apresentar nenhuma prova.

"(Agora) ele escolhe receber o reino em seu campo perto de onde 750 pessoas foram mortas", dissee Eagleson, em referência ao número de residentes de Nova Jersey que morreram no 9/11.

Patrocinado pelo Fundo Público de Investimentos da Arábia Saudita, o LIV atraiu os melhores golfistas do mundo com prêmios milionários.

ONGs defensoras dos direitos humanos acreditam que trata-se de uma campanha para "limpar" a imagem da Arábia Saudita. Os organizadores garantem que a ideia é apenas promover o golfe no mundo.

Trump, um grande entusiasta do esporte, se tornou um defensor do LIV e pediu aos jogadores que "aceitem o dinheiro" e participem do circuito.

Trump jogou em Bedminster na quinta-feira ao lado de dois astros do esporte, Bryson DeChambeau e Dustin Johnson.

Na semana passada, em entrevista ao Wall Street Journal, o ex-presidente minimizou as críticas dos familiares das vítimas do 11/9.

Mas Eagleson diz que o envolvimento de Trump o prejudicará politicamente o magnata, enquanto ele pondera se concorrerá à Casa Branca novamente em 2024.

"Alguns de nossos maiores apoiadores são membros da família dos bombeiros e da polícia de Nova York. E esses têm sido alguns dos maiores apoiadores de Trump. Bem, não mais", afirma Eagleson.

Os organizadores do LIV se solidarizaram com as famílias das vítimas dos piores ataques sofridos pelos Estados Unidos, mas veem no golfe "uma força do bem em todo o mundo".

Para Tim Frolich, que ficou ferido nos ataques de 11 de setembro, o torneio reabriu velhos traumas.

"Tive problemas para dormir ontem à noite, só de raiva", disse o homem de 58 anos à AFP, enquanto parentes seguravam fotos de entes queridos e usavam camisetas com a frase "nunca esqueça".

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