Vítimas de abuso em estabelecimentos de saúde devem procurar delegacia logo, diz advogada

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vítimas de violência por profissionais de saúde em laboratórios, consultas ou hospitais, como no caso da mulher estuprada durante uma cesariana em São João de Meriti (RJ), devem procurar o quanto antes atendimento em delegacias especializadas.

"Se a mulher entendeu que houve violência, tem de ir imediatamente à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) mais próxima. Existe hoje toda uma gama de profissionais para atendimento às vítimas, incluindo psicólogos", diz a advogada Rosana Chiavassa, especializada nas áreas de saúde e violência contra a mulher.

Segundo ela, existem ONGs que podem auxiliar a vítima, mas o ideal é ir direto para a delegacia, inclusive para não perder provas. No estado de São Paulo, a lista de delegacias pode ser consultada no site do programa Todas in-Rede.

Nas cidades em que não há delegacia especializada ou esta se encontra fechada, a vítima deve ir acompanhada por alguém de confiança à delegacia de atendimento geral. Se não tiver seu caso atendido ou se o tratamento for insatisfatório, ela pode ir ao fórum pedir a ajuda da assistente social e acionar o Ministério Público.

Outra possibilidade é chamar a Polícia Militar. "A cidade pode não ter DDM, não ter fórum, mas tem PM e o policiamento militar, pelo menos no Estado de São Paulo, vem recebendo treinamento. Os policiais estão aprendendo a lidar com as mulheres vítimas de violência", afirma Rosana.

Já nos casos em que a vítima apresenta lesões, a recomendação é procurar socorro. "Está machucada? Vai primeiro para o hospital porque o próprio hospital chama a polícia. Não está machucada? Vai para a delegacia. E tudo isso tem de ser o mais rápido possível. Aconteceu no meio da noite e não está machucada? Assim que amanhecer, vai para a delegacia. O caminho é buscar as autoridades", reforça.

De acordo com a advogada, caso a paciente tenha sido anestesiada e tenha dúvidas sobre o que ocorreu durante o procedimento médico, a orientação é acionar o quanto antes a ouvidoria do hospital, pedir atendimento e apuração.

Chiavassa afirma ainda que se o médico não chamar uma secretária ou assistente para acompanhar o procedimento e a paciente ficar desconfortável com isso, ela pode pedir que alguém acompanhe esse profissional.

Pedir para gravar o atendimento também é uma opção. "Dificilmente o profissional de saúde vai cometer alguma violência se a paciente estiver consciente ou gravando, é uma proteção. O problema é quando a paciente está inconsciente, anestesiada. Essa é a grande questão. O que as mulheres podem fazer nesses casos? Começar a exigir dos hospitais a presença de acompanhante".

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