Vítimas de ataque nos EUA são identificadas; famílias lamentam: 'palavras não podem descrever adequadamente nossa dor'

Louise Queiroga
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As oito vítimas de ataques a três estabelecimentos nos Estados Unidos nesta semana tiveram suas identidades reveladas nesta sexta-feira, dia 19, pela polícia, sendo a maioria mulheres de origem asiática. O presidente Joe Biden ordenou na quinta-feira que as bandeiras fossem hasteadas a meio-mastro em homenagem às vítimas até 22 de março.

Na primeira casa de massagem, localizada no condado de Cherokee e denominada Young's Asian Massage, foram mortos Daoyou Feng, de 44 anos, Paul Andre Michels, 54, Xiaojie Tan, 49, e Delaina Ashley Yaun, 33. A única sobrevivente foi identificada como Elcias Hernandez-Ortiz, de 30 anos.

A imprensa norte-americana divulgou algumas informações sobre duas das vítimas.

Xiaojie Tan, proprietária do spa, havia se formado recentemente pela Universidade da Geórgia, segundo o jornal "The Washington Post", e faria aniversário nesta quinta-feira, dia 18. Ela deixa uma filha.

Ashley Yaun, de acordo com a "Associated Press", tinha passado o dia no spa com o marido, que sobreviveu ao tiroteio. Ela é mãe de uma menina de 8 meses e um menino de 13 anos, informou o "The Los Angeles Times".

Paul Andre Michels era dono de uma empresa de instalação de sistemas de segurança, de acordo com a agência de notícias "Associated Press". Pessoas próximas a ele acreditam que Paul tenha ido ao local a trabalho.

Já na cidade de Atlanta, no condado de Fullton, o atirador matou mais quatro pessoas em dois spas: Hyun Jung Grant, de 51 anos, Suncha Kim, 69, Soon Chung Park, 74, e Yong Ae Yue, 63.

Filho de Hyun Jung Grant, Randy Park afirmou, numa página no "GoFundMe", ela foi uma mãe solo que dedicou toda sua vida para sustentar a ele e seu irmão. "Somos apenas meu irmão e eu nos Estados Unidos. O resto da minha família está na Coreia do Sul", acrescentou.

Randy descreveu a mãe como "uma de suas melhores amigas" e "a maior influência" sobre quem ele e o irmão são hoje.

"Perdê-la colocou uma nova lente em meus olhos sobre a quantidade de ódio que existe em nosso mundo. Por mais que eu queira lamentar e processar a realidade de que ela se foi, tenho um irmão mais novo para cuidar e questões para resolver como resultado desta tragédia".

A família de Yong Ae Yue se pronunciou publicamente através de nota emitida por um advogado.

“Somos filhos da Sra. Yong Ae Yue, uma das vítimas dos trágicos tiroteios ocorridos nesta semana. Estamos arrasados com a perda de nossa amada mãe, e as palavras não podem descrever adequadamente nossa dor. A todos aqueles que procuraram fornecer apoio e palavras de encorajamento, obrigado. Neste momento, uma vez que o caso atraiu tanta atenção, estamos pedindo que a mídia e o público respeitem a privacidade de nossa família enquanto estamos de luto e enquanto fazemos os preparativos para o funeral de nossa mãe. Faremos outra declaração no momento apropriado. Até então, por favor, encaminhe quaisquer perguntas ao nosso advogado. Obrigado".

Os ataques a tiros ocorreram num contexto de aumento de crimes de ódio contra asiático-americanos nos Estados Unidos. O Gabinete do Xerife do Condado de Cherokee disse na quarta-feira que o suspeito de 21 anos "disse aos investigadores que culpa as casas de massagem por fornecerem uma válvula de escape para seu vício em sexo" e "disse aos investigadores que os crimes não tinham motivação racial".

Manifestações ocorreram tanto em cidades norte-americanas, com cartazes pedindo o fim do racismo a asiáticos e seus descendentes, quanto através das redes sociais, por meio da divulgação de hashtags, como #StopAsianHate (Pare o ódio a asiáticos).