Vítimas de chacina em Anchieta, filhos de traficante tinham saído da cadeia nos últimos meses

Carolina Heringer

Vítimas de uma chacina em Anchieta, na Zona Norte do Rio, dois filhos do traficante Vanilson Venâncio Gomes, o Tida, tinham deixado a cadeia recentemente. Ian Lucas Soares Gomes, de 23 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu, tinha sido solto em abril deste ano, após ganhar liberdade condicional. Já Yago Breno Soares Gomes, de 25, que sobreviveu à chacina e segue internado, está em prisão domiciliar desde o mês passado. Ambos cumpriam pena pelo crime de roubo.

Uma das linhas de investigação da Delegacia de Homicídios da capital é de que os filhos de Tida eram os alvos dos criminosos que abriram fogo contra as pessoas que estavam em uma festa junina na madrugada do último domingo na Rua Ernesto Vieira, um dos acessos à favela Az de Ouro. A suspeita é de que os responsáveis pelo ataque sejam traficantes do Complexo do Chapadão, na Pavuna. Segundo informações apuradas pela DH, há uma disputa entre criminosos das favelas Az de Ouro e Tatão com os bandidos que dominam o Chapadão.

Tida era um dos principais comparsas do traficante Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, chefe do tráfico no Complexo da Pedreira, e tinha importante papel na logística de roubos - principalmente de cargas - da quadrilha. Ele foi morto durante uma perseguição policial em 2015.

Ian e Yago cumpriam pena por roubo. Os dois tinham sido presos em flagrante, em março de 2018, acusados de venderem o som de um carro roubado em um site de vendas na internet e inicialmente foram autuados por receptação. No entanto, as vítimas do assalto foram chamadas na 28ª DP (Praça Seca), e reconheceram os irmãos como autores do assalto que sofreram. Os dois acabaram indiciados e condenados por roubo.

No ano passado, Ian recebeu uma pena de 6 anos e cinco meses de prisão e Iago foi condenado a 7 anos e cinco meses de prisão. Sem antecedentes criminais, Ian conseguiu liberdade condicional e deixou a cadeia no dia 15 de abril deste ano.

Já Yago, que já tinha sido preso em 2015 também por roubo, conseguiu progressão do regime fechado para o semiaberto este ano. Em maio, ele conseguiu direito à Visita Periódica ao Lar (VPL), quando o preso que cumpre pena em regime semiaberto pode visitar a família, e deixou o presídio. Por causa da pandemia do novo coronavírus, todos os detentos com VPL estão autorizados pela Vara de Execuções Penais (VEP) a ficar em prisão domiciliar.

Pelas regras impostas pela Justiça, Yago não poderia estar na festa junina na qual foi baleado. Em sua decisão concedendo prisão domiciliar aos detentos do regime semiaberto, o juiz titular da VEP, Rafael Estrela, determinou que esses presos fiquem em casa nos fins de semana. Durante a semana, eles só podem ficar fora de suas residências das 6h às 20h. Yago segue internado no Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, para onde foi levado.

A chacina durante uma festa junina na madrugada do último domingo, em Anchieta, deixou cinco pessoas mortas, entre elas Ian Lucas e a menina Rayanne Lopes, de 10 anos. Outras sete pessoas, incluindo Yago Breno, ficaram feridos.