Vítimas de chacina em assentamento em MT foram mortas a tiros e facadas

MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - As nove vítimas de uma chacina ocorrida na última quinta-feira (20) num assentamento em Colniza (MT) foram mortas com tiros e facadas. Uma das suspeitas é que as mortes tenham sido encomendadas por fazendeiros da região.

A Polícia Civil do Mato Grosso começou, na manhã deste sábado (22), a identificação dos corpos das vítimas no cemitério da cidade, quase dois dias depois da chacina.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra, a identificação está sendo feita numa sala improvisada do cemitério, já que a cidade não tem IML (Instituto Médico Legal). Familiares aguardam do lado de fora por informações.

Cerca de cem famílias moram no assentamento Taquaruçu do Norte e foram surpreendidas por homens encapuzados que invadiram o local e entraram nos barracos atirando na última quinta.

Todos os mortos são homens. Além de tiros, os criminosos usaram facões no crime -uma das vítimas foi encontrada com um facão cravado no pescoço.

A demora na transferência dos corpos para o local de identificação ocorreu, segundo a Polícia Civil, devido às dificuldades de acesso ao assentamento.

Colniza fica a 1.065 quilômetros de Cuiabá. O assentamento, por sua vez, fica a 250 quilômetros da zona urbana de Colniza, percorridos em estrada de terra -parte do trecho em mata fechada e com pontos quase intransitáveis, devido a atoleiros. Depois, ainda é preciso percorrer 15 quilômetros de barco ou 18 quilômetros a pé.

O total de vítimas só foi confirmado na noite desta sexta. Inicialmente, a polícia tinha divulgado a informação de cinco mortos.

Não há, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, pistas dos criminosos nem dos supostos mandantes da chacina. A hipótese de que conflitos agrários sejam a causa é a principal levantada por familiares dos mortos.

De acordo com a polícia, os nomes das vítimas só serão divulgados após a identificação de todos os corpos, o que deve ocorrer até o final da tarde deste sábado.

A Comissão Pastoral da Terra, órgão ligado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), qualifica o crime como um "massacre" e diz que o lugar tem histórico de conflitos agrários.