Vítimas de homem que assaltava com cadela na Zona Sul do Rio procuram a delegacia

Outras vítimas de Allan Kardec Arêas Santos, homem de 42 anos preso esta semana por cometer assaltos usando uma cadela da raça pastor belga malinois para intimidar as pessoas, procuraram neste sábado, dia 30, à 14ª DP (Leblon), que investiga o caso. Uma delas foi um produtor de cinema de 40 anos, que não quis se identificar. Ele conta que foi atacado pela cachorro de Allan em 2020:

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— Ele começou a aparecer na Praça Pio XI, no Jardim Botânico, e volta e meia o via usando drogas durante o dia, na presença de várias crianças. Certa vez, pedi para ele fazer aquilo em outro local e, mesmo contrariado, saiu. Não passou muito tempo, e ele retornou já com o cachorro. Pedi novamente para não usar drogas perto das crianças, quando, de repente, ele soltou o cachorro, que veio direto em minha direção e me mordeu. Tentei chegar perto do Allan, mas o animal não deixou. Ficou nítido que o cão o defendia, e o mesmo o usava como uma arma. Conheço várias pessoas que foram abordadas e intimidadas por ele. Davam até dinheiro com medo do animal. Um amigo chegou a gravar um vídeo dessa cena. Na época, fui ao hospital e tomei a vacina antirrábica por conta da mordida.

Allan Kardec Arêas Santos possui quinze passagens pela polícia pelos crimes de roubo, lesão corporal, posse e uso de drogas, desacato, violência doméstica e maus-tratos a animais. Segundo a 14ª DP (Leblon) Allan pode pegar até cinco anos de prisão.

“A cada ordem dele, a cadela mordia quem ele mandava. Inclusive atacou dois policiais, um militar e uma civil. Cumprimos o mandado de prisão preventiva e ele pode ficar até 5 anos preso. Importante lembrar que representamos também pela busca e apreensão do animal, que está em poder da Subsecretaria Estadual de Proteção e Bem-Estar Animal”, explicou a titular da 14ª DP (Leblon), delegada Daniela Terra.

Histórico de Allan

Allan Kardec Arêas Santos já era um antigo procurado da polícia. Morador de rua, dormia pelas calçadas da Zona Sul do Rio de Janeiro, principalmente no bairro Jardim Botânico. Contra o suspeito já havia um mandado de prisão preventiva, pelo crime de roubo. Segundo a polícia, ele usava a cadela, conhecida como Macarena, da raça pastor belga malinois, para ameaçar as vítimas. Caso elas tentassem reagir, ele dava um comando para o animal atacá-las.

A delegada titular da 14ª DP (Leblon), Daniela Terra, já havia instaurado inquérito e investigava o suspeito há 15 dias.

“O autor tinha essa cadela e vivia andando pelas ruas de todos os bairros da Zona Sul. Usava o animal como instrumento para colocar medo nas pessoas e cometer crimes. Ele tem passagens na polícia desde 1997, e acabou sendo preso por cometer roubo impróprio, que é se utilizar do instrumento, ou seja, a cadela, para conseguir roubar os objetos”, explicou a delegada, por meio de nota. Ela informou ainda que embora dócil, a cadela era treinada a obedecer aos comandos do suspeito para atacar as pessoas.

Uma das últimas vítima do suspeito foi a inspetora da Polícia Civil, Clarissa Huguet, que estava na praia do Leblon com seu cachorro, quando o acusado tentou roubá-lo. A vítima foi atrás na mesma hora e pediu o cachorro de volta. Allan não devolveu e deu um comando para que a cadela dele a atacasse. A policial conseguiu resgatar o cachorro com ajuda de amigos, e foi imediatamente socorrida e levada para o hospital. Pouco mais de um mês, ela ainda tem as marcas do ferimento nas pernas.

“Estava na praia com o meu cão, adestrado, e de repente esse homem passou, colocou a guia dele no meu cachorro e saiu o arrastando. Eu fui atrás, pedi para que ele me devolvesse e ele disse que não iria entregar, pois o cachorro estava abandonado e pertencia a ele. Tentei pegar o Scoob e quando vi o animal dele já estava mordendo minha perna. Em seguida descobrimos que a mesma cadela já havia atacado mais cinco pessoas. Como policial, levantei toda a ficha dele e comecei a receber informes de que ele estava em diversos bairros da Zona Sul. Ele usava a cadela como arma, é vítima dele. Estou feliz em saber que ele está fora das ruas”, disse Clarissa em depoimento enviado à polícia.

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