Vítimas do massacre de Realengo são homenageadas com música e flores em memorial ao lado da escola nos dez anos da tragédia

Márcia Foletto e Arthur Leal
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RIO — Em qualquer dia do ano, passar pelo memorial da Praça Anjos da Paz, no bairro de Realengo, e manter-se indiferente é uma experiência quase impossível. Neste dia 7 de abril de 2021, quando completam-se dez anos desde o massacre na Escola Municipal Tasso da Silveira, feito por um ex-aluno, que terminou com a morte das doze crianças e adolescentes, que hoje são representados em estátuas no jardim, o cenário era de homenagens e emoção na lembrança da data.

Ainda na terça-feira, flores foram colocadas nos monumentos por parentes, que, reforçando até o cuidado e a necessidade de se ter responsabilidade em tempos de pandemia, acrescentaram também máscaras às estátuas. Na manhã desta quarta-feira, integrantes de alguns grupos locais — e que surgiram com a união da comunidade após a tragédia — estiveram no local para prestar uma homenagem. Em pouco número e descaracterizados, por conta da Covid-19, eles promoveram atos simbólicos.

— No ano passado não pudemos fazer nada, soltamos apenas uns balões, e esse ano, nos dez anos da tragédia, nós não podíamos deixar passar em branco. A tragédia do Tasso, infelizmente, foi muito dolorosa para todos nós. Mas temos um legado importante, ela trouxe conscientização às pessoas sobre o bullying e outros temas importantes na escola — disse Luciana Bertolami, do coletivo Anjos de Realengo e que criou com os filhos a Trupe o Quintal Itinerante. — Hoje vieram dois grupos: o instituto Música Para a Vida, criado a partir da tragédia do Tasso, e o meu grupo Trupe Quintal Itinerante, uma família de palhaços que foca o seu trabalho no combate ao bullying e à violência na escola.

Um músico com um trompete homenageou as vítimas com as canções "Amigo" e "Eu sei que vou te amar". Outro membro de um dos coletivos, exatamente no horário da tragédia, tocou 12 vezes seu bumbo, em referência às vítimas.

— O meu filho foi criado com os alunos, não só as vítimas fatais, mas os que sobreviveram também. Nós éramos uma família. Ele veio homenageá-los com doze batidas no bumbo, no horário da tragédia. E, como não poderíamos trazer toda a trupe por conta a aglomeração, ele veio sozinho e descaracterizado.

Nesta manhã, também apareceram Adriana Silveira e Andréia Tavares Machado, mães de duas vítimas da tragédia: Luiza Silveira, que morreu no ataque, e Thayane Tavares Monteiro, hoje com 23 anos, que acabou ficando paraplégica após ter sido ferida. Emocionadas, elas assistiram a homenagem e, ainda nesta quarta-feira, assistirão uma missa em homenagen às vítimas no Cristo Redentor.

Durante o tempo em que a reportagem esteve no local, vizinhos pararam para rezar, enquanto outros depositaram flores no memorial. Em silêncio, a escola Tasso da Silveira estava vazia, fechada por conta da pandemia.