Vítimas vulneráveis e vídeos: saiba quais são as semelhanças entre os dois casos de anestesistas presos por estupro

A prisão do anestesista colombiano Andres Eduardo Oñate Carrillo, de 32 anos, na manhã desta segunda-feira, tem semelhanças com outro caso de estupro de paciente no ocorrido no Estados do Rio, quando o também anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso, há seis meses. Segundo as investigações da Polícia Civil, o modo como os médicos agiam durante o turno de trabalho tem semelhanças. Entre elas, está o fato de as mulheres vítimas estarem vulneráveis por estarem sedadas durante os atendimentos, momento em que ocorriam os crimes. Outro ponto é a existência de vídeos que são usados como provas dos estupros cometidos. Abaixo, veja o que os casos têm em comum até agora.

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Abusos gravados

Quando o anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso, em julho do ano passado, a polícia recebeu um vídeo junto com a denúncia. As imagens foram gravadas horas durante as últimas etapas de uma cesárea. No material, a paciente aparece desacordada dado o efeito da anestesia, momento em que Giovanni comete o crime, mesmo na presença de outros profissionais na sala, como médicos e enfermeiros. O flagrante foi registrado pela equipe de enfermagem, que estava suspeitando do comportamento do anestesista e escondeu um celular dentro de um armário com porta de vidro para filmar o local onde Giovanni costumava ficar. O médico se posicionava atrás de uma cortina, sempre de pé e perto da cabeça das pacientes, transformadas em vítimas.

No caso de Andres, a Polícia Civil afirma ter acesso a vídeos contendo cenas de abusos. No entanto, o material, segundo as investigações, não foi gravado com o intuito de ser uma prova para corroborar com os depoimentos de testemunhas. O próprio anestesista fez as imagens em que aparece abusando das vítimas, afirma a polícia. Ele é suspeito de abusar ao menos de duas mulheres sedadas durante cirurgias. As gravações eram feitas e armazenadas por ele próprio e foram encontradas pelos agentes em outra investigação. Os policiais apuravam denúncia de pornografia infantojuvenil, com base em arquivos compartilhados pela Polícia Federal.

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Abusos a vítimas vulneráveis

Tanto Giovanni como Andres praticavam os abusos enquanto as vítimas estavam sedadas para procedimentos cirúrgicos, apontaram as investigações, o que impedia qualquer tipo de tentativa de defesa por parte das mulheres, que ficam desacordadas durante as cirurgias. Apesar de ser direito das pacientes, o Giovanni pedida e insistia para que os acompanhantes — maridos e parentes — deixassem o centro cirúrgico após o nascimento do bebê. No caso gravado em flagrante, a paciente estava sem a companhia de uma pessoa da família.

Segundo a polícia, Andres é suspeito de violentar ao menos duas mulheres sedadas durante cirurgias. Nas imagens encontradas, as mulheres estavam numa mesa de cirurgia e aparentavam estar desacordadas por efeito da anestesia. Em um dos vídeos, guardados pelo anestesista, ele chega a colocar o pênis na boca da vítima desacordada, segundo relato da polícia.

Giovanni virou réu por estupro de vulnerável. Na manhã desta segunda-feira, a Justiça expediu mandado de prisão e de busca e apreensão contra Andres também por estupro de vulnerável.

Acesso a medicamentos

De acordo com as investigações, os dois anestesistas aproveitavam os momentos em que as mulheres estavam desacordadas para os procedimentos para então praticarem os abusos. Durante as investigações, testemunhas relataram que Giovanni administrava uma dosagem muito maior de anestesia nas pacientes, mesmo quando o parto já tinha encerrado e a equipe estava nas últimas fases da cirurgia, como fechar a barriga da parturiente que acabara de passar por uma cesárea. Ele dizia às mulheres que elas precisavam dormir e se tratava de um procedimento padrão.

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Segundo a polícia, as duas pacientes gravadas por Andres estavam numa mesa de cirurgia e aparentavam estar desacordadas por efeito de sedativos. Os estupros teriam acontecido durante o procedimento de anestesia pré-cirúrgico.

Mais de um local de trabalho

Andres, que estava em situação legal no país, atuava tanto em hospitais públicos, de rede estadual e federal, quanto particulares, diz a políca. Um deles foi o Hospital Estadual dos Lagos Nossa Senhora de Nazareth. No Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), fez um curso técnico-prático, de março de 2018 a fevereiro de 2021, em que resulta em um certificado que permite a ele participar de cirurgias e/ou procedimentos sempre com a supervisão de um profissional responsável. A direção ressaltou, em nota, que não houve denúncias à unidade.

Giovanni foi preso pelo flagrante durante uma cesárea no Hospital da Mulher, em São João de Meriti, da rede estadual do Rio. Por dois anos, ele também atuou no Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI). O anestesista atuou em pelo menos dez hospitais públicos e privados, entre eles, o Copa Star e Barra D’Or, Rio Mar e Balbino.