Vítor Pereira e Abel Ferreira têm Mourinho como fonte inspiradora

José Mourinho estará no Mané Garrincha quando Palmeiras e Flamengo disputarem o título da Supercopa do Brasil, no próximo sábado. Não em termos físicos, mas conceitualmente. A maneira como um dos maiores treinadores portugueses de todos os tempos enxerga o futebol inspirou Abel Ferreira e Vítor Pereira, técnicos das duas equipes. O duelo servirá para mostrar quem bebeu mais e melhor da fonte do “Special One”.

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Vítor Pereira é herdeiro direto do atual treinador da Roma. Estava no Porto, dando os primeiros passos como técnico das divisões de base, quando Mourinho ganhou fama mundial, ao levar o time português ao título da Champions League, em 2003/2004.

O tempo passou e ele subiu degraus. Virou auxiliar de André Villas-Boas, que havia sido braço direito de Mourinho. Quando foram campeões nacionais, Mourinho, já de longe, fez questão de elogiar Pereira. Deu entrevista afirmando que o atual técnico do Flamengo havia sido mais do que um ajudante de Villas-Boas.

As semelhanças entre os dois puderam ser percebidas mais adiante, quando o próprio Vítor Pereira assumiu o Porto e repetiu o feito dos antecessores, conquistando títulos em Portugal. Havia menos a preocupação em criar um estilo de jogo bonito, autoral, e mais em dar competitividade à equipe. Veio a supremacia de resultados contra o arquirrival Benfica.

Pereira aprendeu com Mourinho o valor de adaptar seu estilo de jogo ao adversário, dependendo das circunstâncias. Ano passado, contra o Flamengo, na final da Copa do Brasil, deixou de lado a maneira com que o Corinthians jogava no Brasileiro, com mais posse de bola, e passou a atacar no contra-ataque, fazendo um jogo bem vertical. Quase deu certo, ao levar a disputa contra o favorito rubro-negro até os pênaltis.

Estrategistas

Entre ser um técnico que tenta impor seu sistema de jogo ao time que enfrentará ou ser um treinador que analisa minuciosamente os adversários atrás de uma brecha, ainda que aproveitá-la signifique boas mexidas na própria maneira de jogar, Abel Ferreira fica com a segunda opção. E esse é ponto de congruência entre ele, Pereira e Mourinho.

Em 2021, depois de ser campeão da Libertadores em cima do Flamengo, o treinador do Palmeiras saiu de férias rumo a Portugal. Lá conversou com a imprensa local, que perguntou com quem ele acreditava ter mais afinidade na leitura de jogo — Mourinho ou Jorge Jesus, cujos feitos pelo rubro-negro dois anos antes ainda repercutiam com força, tanto no Brasil quanto em terras lusitanas. A resposta foi Mourinho. Sem pestanejar.

Ao ter Mourinho como uma referência, Abel acaba olhando com carinho o estilo do adversário na final da Supercopa do Brasil. Vitor Pereira é dez anos mais velho e chegou a dar palestras com o técnico do Palmeiras — então ainda no processo de formação como técnico—, entre os presentes

Não chegaram a se enfrentar em Portugal, mas por ocasião dos clássicos entre Corinthians e Palmeiras, ano passado, o técnico alviverde fez questão de fazer grandes elogios ao adversário. O que não o impediu de vencer as três partidas.

Atrapalhou Pereira ano passado o fato de estar enfrentando um adversário cujo trabalho estava bem mais evoluído, de pé desde 2020. Como trocou de clube, deixou o Corinthians para se transferir para o Flamengo, deverá ter problemas parecidos. Pelo menos a qualidade do material humano à disposição evoluiu consideravelmente ao fechar com o rubro-negro.