Vôlei de praia: Ana Patrícia comemora título mundial, mas prega cautela para Paris-2024

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

Sete anos depois de Agatha e Bárbara conquistarem o título, o Brasil voltou a ter uma dupla campeã mundial no vôlei de praia. Duda e Ana Patrícia venceram as canadenses Bukosec e Brandie por 2 a 0 (21/17 e 21/19), domingo, erguendo a troféu do Mundial da modalidade disputado em Roma. As duas, que voltaram a jogar juntas, venceram duas vezes o Mundial sub-21 (2016 e 2017) e o triunfo em areias italianas aumentou as expectativas para Paris-2024.

Mas, em entrevista ao GLOBO, a mineira Ana Patrícia comemorou o título, mas também pregou cautela, pois a corrida para os jogos franceses ainda não começou.

Renato, Carol e cia: Conheça a nova geração do vôlei de praia que já mira Paris-2024

Crise no vôlei de praia: Entenda por que mudanças no regulamento e premiação colocaram atletas e CBV em lados opostos

Até que ponto o Mundial é termômetro para este ciclo olímpico?

O Mundial é a segunda competição mais importante do vôlei de praia, mas não tem nada a ver com a Olimpíada ou o corrida olímpica, que ainda vai começar. A gente sabe o tamanho da nossa conquista, mas ao mesmo tempo não esquece em momento algum que precisa seguir trabalhando muito. O que vivemos em Roma foi fruto do trabalho que fazemos todos os dias com nosso time, no nosso clube. E tudo que vier pela frente depende da continuidade disso. Agora é ter tranquilidade para seguir firme em busca de nossos objetivos.

Esse título mostra que sua parceria é favorita para ir a Paris-2024? E para estar no pódio em Paris?

Favoritismo não existe em nenhum momento. Nem classificadas nós estamos. Nosso papel é manter os pés no chão para ir conquistando passo a passo. Teremos ainda a corrida olímpica e o Brasil sempre tem grandes duplas concorrendo a apenas duas vagas. Vai ser pedreira, vai ser difícil e quem achar que vai ser fácil para alguma dupla, está completamente enganado. Queremos muito a vaga, estamos treinando desde o início do projeto para isso, mas resultado só se garante na quadra. O título mundial é incrível, maravilhoso, mas não nos garante nada.

Tanto você quanto Duda saíram de times em que as parceiras eram mais experientes. E se juntaram mais uma vez. No meio esportivo se comenta que era natural esperar esse reencontro, uma vez que vocês tiveram dupla de sucesso antes. Era essa a ideia, um dia ter Duda a seu lado de novo, depois de uma certa "rodagem"?

Ninguém junta para separar nem joga para perder. Tanto eu quanto ela, com nossas ex-parceiras, lutamos muito para que os resultados viessem. E eles vieram, chegamos aos Jogos Olímpicos, ganhamos competições bacanas, títulos importantes, mas um ciclo se encerrou. Eu e Duda sempre nos demos muito bem, mas não era algo que estava estabelecido ou combinado. Aconteceu e ficamos muito felizes de nos reencontrarmos. Abraçamos um projeto novo, mudamos de cidade, fomos extremamente bem recebidas pelo Praia Clube, com uma estrutura ótima para trabalhar. Estamos felizes.

Você diria que sua dupla hoje é a mais forte do país, uma vez que vocês duas são jovens e experientes ao mesmo tempo?

Não temos a pretensão de carregar esse peso. Cada competição tem sua história. E como já disse antes, o Brasil tem grandes duplas, todo mundo fazendo um grande trabalho, com resultados consistentes. A gente só pensa em ser melhor do que fomos, seguir trabalhando para continuar brigando pelas vitórias. Sem treino nada acontece.

O Brasil não foi ao pódio em Tóquio e a modalidade foi bastante criticada (no sentido de ter tido investimento mas não resultado). Olhando pelo retrovisor, em retrospectiva, o que Tóquio pode ter significado para a modalidade? E qual a contribuição para o momento atual?

Acho que as pessoas olham muito pouco para o trabalho que é desenvolvido pelas duplas no dia a dia. Sabemos que a visibilidade da Olimpíada é diferente, é a hora que todo mundo olha para o vôlei de praia, mas Tóquio passou, ficou para trás. O nível é muito alto no vôlei de praia, muitas duplas capazes de vencer os torneios e quem vive, como a gente, sabe. Perder faz parte do esporte e foi o que aconteceu. Na etapa do Circuito Mundial que jogamos antes de Tóquio, a final foi brasileira, com as representantes olímpicas. Cabe a nós aprendermos com o que passamos para construir uma nova trajetória, mas não existe nenhum tabu ou fantasma com Tóquio. Isso está na cabeça dos outros, não na nossa.

Na sua opinião, o fato do Brasil não ter ido ao pódio no Japão foi algo pontual ou mostrou que era preciso uma mexida nas duplas?

Como disse antes, as pessoas talvez não estejam tão acostumadas ao vôlei de praia, mas o cenário mundial é muito duro. Temos adversárias talentosas de vários países, sempre surgindo novos talentos. Quem acaba não acompanhando é que não sabe. Talvez as pessoas ainda estejam com a imagem de que o vôlei de praia é Brasil e Estados Unidos, mas não é há muito tempo. Tóquio passou e mesmo se tivéssemos tido medalhas para o Brasil eu acredito que mudanças nas duplas aconteceriam. É uma coisa normal e sempre aconteceu. Não foi por causa de resultado. Um ciclo novo se inicia, prioridades mudam, objetivos mudam e não existe melhor momento de mudar do que quando tudo está começando novamente.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos