Vacinação deve começar por profissionais de saúde da linha de frente, diz governo

Paula Ferreira
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BRASÍLIA— Diante do restrito número de doses de vacina disponíveis num primeiro momento para efetuar a vacinação, o Ministério da Saúde deve priorizar profissionais de saúde que atuam na linha de frente do combate à Covid-19.

O secretário executivo da pasta, Élcio Franco, afirmou durante coletiva de imprensa na quarta-feira que o governo trabalha com diferentes cenários em relação à disponibilidade de doses da vacina. O primeiro cenário de 8 milhões de doses, considerando a disponibilidade de 2 milhões de doses da vacina de Oxford, importada do Instituto Serum, da Índia; e 6 milhões de doses da CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan. E outro cenário com a disponibilidade de apenas uma das duas opções de vacina.

— De acordo com a quantidade de vacinas que viermos tendo vamos abordando esses grupos (prioritários) — disse. — Dentre os profissionais de saúde, se tivermos uma quantidade menor (de doses) teremos que junto com o Conass e Conasems priorizar aqueles que estão na linha de frente. Temos aqueles que estão um pouco mais afastados do paciente que está com a doença, então vamos priorizar aqueles que estão em contato. Quando tivermos a quantidade suficiente para todos, vamos imunizar todos os profissionais de saúde.

Franco frisou que conforme mais doses forem disponibilizadas o governo vai ampliar a imunização dos grupos prioritários:

— Mas os profissionais de saúde, os indígenas, os idosos estão dentro desse grupo prioritário que vamos atendendo e dentro da prioridade, por exemplo, idosos, vou começar pelos mais idosos. Depois, menos idosos, depois para idosos institucionalizados que estão submetidos a maior risco. Tudo vai ser tratado de acordo com a quantidade que viermos tendo e aí vamos disponibilizando para esses grupos — explicou.

Segundo o secretário executivo, o governo ainda avalia a possibilidade de espaçar as doses da vacina para ampliar a imunização da população.

— No caso de alguns imunizantes, já está sendo uma prática em outros países aumentar o intervalo entre a primeira e a segunda dose desde que os estudos com relação àquele imunizante possibilitem esse aumento. O ministro já falou alguma coisa nesse sentido. Então, há sim a possibilidade de aumentar esse intervalo e aumentar com isso a cobertura da população a ser imunizada — afirmou.

Carteira de vacinação digital

Durante a coletiva, o Franco também explicou que o Sistema Único de Saúde terá o controle a respeito das doses tomadas pelos brasileiros para evitar que haja confusão na aplicação da segunda dose. Segundo ele, as informações serão colocadas em um sistema e os cidadãos também poderão baixar um aplicativo com uma carteira de vacinação digital.

— Nós temos num futuro próximo o prontuário eletrônico de cada cidadão, teremos a carteira de vacinação digital. Então saberíamos as vacinas que nós tomamos. Mas se eu não tenho celular, não tenho aplicativo, isso estará numa rede nacional de dados de saúde, então poderei lá verificar também qual foi a vacina que eu tomei e quando tomei. Quem tem acesso a esse dado? O cidadão que entrou com o sistema e se cadastrou e se ele autorizar, o profissional de saúde— respondeu Franco. — Esse é um dado que será preservada a confidencialidade do cidadão . É importante destacar isso. É um aplicativo de celular, Conecte SUS, e todos já podem baixar.

O secretário comparou o sistema com o e-Título disponibilizado pela Justiça Eleitoral para as eleições e justificativa de voto:

— A carteira de vacinação digital é uma das possibilidades que existe em aplicativo de celular, mas que também pode ser acessado pelo computador. Eu poderia fazer um paralelo com o e-título, onde teremos várias funcionalidades. Temos no Conecte SUS localização de unidades básicas de saúde, localização de postos de vacinação.