‘Vacinação em massa tem que ser acelerada ao máximo’, diz Guedes

Manoel Ventura
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira que a vacinação em massa contra a Covid-19 precisa ser acelerada e afirmou que essa é uma obrigação que o governo irá cumprir.

— A vacinação em massa tem que ser acelerada ao máximo para garantir a chance de sobrevivência e garantir o retorno seguro ao trabalho, principalmente para as camadas mais vulneráveis — disse o ministro, durante entrevista sobre o resultado da arrecadação de impostos de fevereiro.

Guedes repetiu a necessidade de vacinar o que chama de camadas mais vulneráveis para garantir o a retomada da economia. Essas pessoas, disse o ministro, são o foco do auxílio emergencial que voltará a ser pago em abril.

— Mesmo com a cobertura que nós vamos estender (auxílio emergencial), mais do que nunca, temos que evitar a crueldade do dilema que é: fique em casa com dificuldade para manutenção da sua sobrevivência pessoal; ou vão sair arriscados a perderem a vida pela Covid — disse o ministro.

Dados colhidos pelo consórcio de veículos de imprensa a partir de dados da secretarias estaduais de Saúde apontam que 11,8 milhões de pessoas receberam a primeira dose da vacina, o que equivale a 5,58% da população brasileira. Apenas 1,96% da população recebeu as duas doses.

Para Guedes, “as classes mais baixas, há um desejo desesperado pelo trabalho”.

— As camadas mais frágeis são as que querem, precisam, pedem para trabalhar. Mesmo nós liberando esse auxílio emergencial, que deve ajudá-los pelo menos a manter sua sobrevivência nesse período, nós temos a obrigação de vaciná-los nos próximos três quatro meses. Nós temos a obrigação de vaciná-los, para que eles possam ter um retorno seguro ao trabalho — disse Guedes, acrescentando: — Essa é a nossa obrigação e vamos fazer tudo para cumpri-la.

Centenas de economistas, entre eles ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central, como Armínio Fraga, Pedro Malan, Ilan Goldfajn e Afonso Celso Pastore, assinam uma carta de alerta sobre o agravamento da pandemia no Brasil e cobram vacinação e distanciamento social como medidas de combate à Covid-19.

A informação sobre a carta foi publicada pelo colunista do GLOBO Merval Pereira. O documento será entregue a representantes dos Três Poderes.

O documento “O País exige respeito; a vida necessita da ciência e do bom governo - carta aberta à sociedade referente a medidas de combate à pandemia” lembra que o Brasil é, hoje, o epicentro mundial da Covid-19 e reforça a necessidade de que as políticas públicas se baseiem em evidências cientificas.

Guedes não comentou a carta dos economistas.

Arrecadação bate recorde

A fala do ministro foi feita durante a divulgação dos dados da arrecadação de impostos de fevereiro. O ministro não respondeu a pergunta dos jornalistas.

A arrecadação de impostos do governo federal bateu recorde em fevereiro. No mês passado, o governo arrecadou R$ 127,7 bilhões. Foi o maior resultado já registrado pela Receita Federal desde 2000, quando teve início a série histórica.

O número registrado no mês passado representa uma alta de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, já descontada a inflação.

No acumulado de 2021, somando janeiro e fevereiro, o governo federal arrecadou R$ 307,968 bilhões em tributos — alta real de 0,81% na comparação com o início de 2020. O resultado também é recorde para o período.

A arrecadação de impostos costuma servir de termômetro para o desempenho da economia. Os dados da Receita mostram que o resultado do mês passado foi puxado por uma alta extraordinária do Imposto de Renda das empresas, somando R$ 5 bilhões.

Também subiu a receita com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Por outro lado, a arrecadação do Imposto de Renda da pessoa física e com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) recuou.

Guedes citou outros indicadores, como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da atividade econômica para dizer que a econoomia está se recuperando.

— Nós precisamos partir desses fatos. É evidentemente que com o recrudescimento da pandemia, essa nova pancada na economia brasileira, nós devemos sofrer algum impacto no mês de abril — disse.