Vacinação irregular de pessoas próximas ao governo 'é imperdoável', diz presidente argentino

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Imagem divulgada pela Presidência da Argentina mostrando a participação do Presidente Alberto Fernandez na Cúpula do Mercosul realizada via videoconferência devido à nova pandemia de coronavírus COVID-19, da Residência Presidencial de Olivos em Olivos, Buenos Aires, em 16 de dezembro de 2020. A gestão de Fernandez enfrenta uma greve de 13 dias causada pelo não reajuste salarial de mais de 12 mil trabalhadores do setor de alimentos.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse que a vacinação irregular de pessoas próximas ao governo, que levou à renúncia do ministro da Saúde, Ginés González, na sexta-feira, "é imperdoável", segundo comunicado divulgado neste domingo (21).

"Ginés foi um grande ministro. E além disso o adoro. Mas o que ele fez é imperdoável", afirmou Fernández ao jornal local Página 12, que, segundo a reportagem, teve uma "conversa informal" com o presidente na manhã de sábado.

"A política é ética, temos que acabar com esse tipo de prática, com a cultura argentina de astúcia, malícia, gestão de influências", acrescentou o presidente, que na sexta-feira pediu a González que renunciasse ao saber "pelos jornais" que funcionava no Ministério da Saúde um posto de vacinação para pessoas próximas ao governo.

"Eu não tolero coisas assim. Não faço coisas assim. Dirijo meu próprio carro. Quando eu não era funcionário público e me ofereceram para ir à Sala VIP sem fila, eu recusei. Como presidente não posso consentir que esses privilégios sejam concedidos", insistiu.

As vacinações irregulares foram reveladas quando o jornalista Horacio Verbitsky disse em um programa de rádio que, graças à sua longa amizade com o ministro, conseguiu se vacinar em seu gabinete, causando uma onda de reações nas redes sociais com a hashtag #vacunasvip (vacinas vip).

Fernández nomeou Carla Vizzotti, especialista em clínica geral que atuou como secretária de Acesso à Saúde, no lugar de García e, no sábado, ela assumiu a pasta.

A nova ministra garantiu neste domingo que "de forma alguma um sistema de vacinação VIP estava funcionando".

"Era uma situação pontual e era um grupo muito pequeno de pessoas (...) Não é uma situação comum, nem existe uma vacinação paralela, nem as vacinas estão reservadas para uma situação privilegiada", disse em declarações à Rádio 10 divulgadas por diversos veículos.

Vizzotti também afirmou que a partir de agora será elaborado "um plano de monitoramento da administração das vacinas".

A Argentina, com 44 milhões de habitantes, acumula mais de dois milhões de infecções pela covid-19 e registra cerca de 51 mil mortes.

Até o momento, o país recebeu 1,22 milhões de doses da vacina Sputnik V e 580 mil da Covishield, do Serum Institute of India.

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