Vacinação no Rio: apesar da ameaça do esgotamento no estado, capital distribui segunda dose da Coronavac normalmente nesta terça

Rodrigo de Souza
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A ameaça da falta de frascos para a segunda dose da Coronavac, problema que já afetou pelo menos dez cidades do Estado do Rio de Janeiro nesta terça-feira (27), não se materializou na capital, cujo calendário de imunização também contempla, hoje, a primeira dose de homens com 59 anos que pertençam a um grupo prioritário e profissionais de saúde com 43 anos.

No Tijuca Tênis Clube, na Zona Norte — um dos maiores dos mais de 230 postos de vacinação da cidade —, pessoas que buscavam uma injeção de reforço do imunizante produzido pelo Instituto Butantan conseguiram se vacinar normalmente na tarde desta terça. Foi o caso de Gilson Ramos, de 70 anos. Hipertenso, o aposentado tomou a primeira dose no dia 30 de março e recebeu a segunda na data marcada na caderneta, sem precisar enfrentar fila.

— A sensação é de alívio, sobretudo. No dia para o qual foi agendada a segunda dose, eu vim e tomei. Não tive reação nenhuma da primeira. Estou bem, estou feliz — conta. — Não teve fila, todo mundo está sendo imunizado sem atropelo.

Conforme recomendam os especialistas e determinam as autoridades de saúde, Gilson prosseguirá, contudo, usando máscara e respeitando as normas de distanciamento social, até que a marcha da imunização torne as medidas dispensáveis.

— Vou continuar a me proteger e a proteger outros. Até que o Ministério da Saúde nos libere de usar a máscara.
O processo de distribuição da segunda dose também ilustra, com histórias de gente de carne e osso, os desafios econômicos impostos pela pandemia. Antônio Barreto, que também tem 70 anos, quer que o período recomendado de 15 dias para a imunização após a segunda dose da Coronavac acabe logo. Uma vez imunizado, o idoso, que trabalha como motorista, pretende, por razões financeiras, voltar ao trabalho.

— Não trabalhei durante a pandemia, e a situação está difícil. Preciso fazer alguma coisa. Faltar, não chega a faltar nada. Mas, se puder trabalhar, eu vou — diz.

Assim como Gilson, Antônio tomou a primeira dose do imunizante no fim de março e tinha a injeção de reforço marcada para esta terça. Ele também diz não ter enfrentado dificuldades para se vacinar:

— Tudo foi bem tranquilo. Não houve aglomeração nem faltou dose. Estou bem satisfeito.

A Prefeitura do Rio de Janeiro nega a falta de doses para a injeção de reforço da Coronavac, embora o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tenha expressado nesta segunda-feira (26) "uma certa preocupação" quanto ao abastecimento das segundas doses do imunizante — uma falha, segundo ele, relacionada ao atraso da entrega dos Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFA) pela China ao Butantan. Atualmente, todos os frascos de Coronavac disponíveis na cidade do Rio estão reservados à aplicação da segunda dose. Todas as injeções de primeira dose são da fórmula de Oxford/Astrazeneca.

A bancária Simone Ramos, de 48 anos, veio trazer a mãe, Armênia, de 70 anos, para tomar a segunda dose da vacina do Butantan.

— Tanto ela quanto meu pai tomaram a Coronavac aqui. Não houve qualquer tipo de efeito colateral, os dois se sentiram bem. Eles estão aliviados, mas os filhos estão mais ainda — diz ela.

Segundo Simone, as reservas do posto não deram sinal de esgotamento em nenhuma das ocasiões em que ela esteve lá.

— Se tivesse que tomar uma terceira, uma quarta dose, eu iria — completa Armênia, brincando.