Vacinação no Rio: porteiro é o primeiro da fila em posto na Tijuca e guarda lugar para amiga

Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Pouco depois das 4h desta quarta-feira, ainda antes de o sol raiar, o porteiro Luiz Carlos Lopes de Souza, de 58 anos, já estava sentado em uma cadeira de plástico em frente ao Centro municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Ele aguardava na fila para ajudar uma amiga que é médica, tem mais de 70 anos e tem alguns problemas de saúde. A partir desta quarta, o Rio começará novos passos no caminho da imunização contra a Covid-19. Até a quarta-feira da semana que vem, todas as Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde da capital estarão realizando a segunda fase da campanha de vacinação.

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São 236 unidades que abrirão as portas para os cerca de 66 mil profissionais de saúde com mais de 60 anos, aptos a receberem a dose de Oxford/AstraZeneca. Além disso, profissionais de emergência que atuam na linha de frente continuarão recebendo vacinas nas suas unidades de trabalho, em conclusão à primeira fase da campanha.

— Ela (a amiga) tem mais de 70, é médica e eu vim fazer um favor — comenta Luiz Carlos que mora ao lado da unidade de saúde. E o porteiro completa: — Quando for a minha vez eu quero chegar ainda mais cedo. Com a imunização de toda a população, tenho esperança de dias melhores. É preciso que todos se vacinem para ficarmos mais tranquilo — lembra.

Nesta fase, serão imunizados, com a devida comprovação, as seguintes categorias de profissionais idosos (com 60 anos ou mais): médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, biólogos, biomédicos, farmacêuticos, odontólogos, fonoaudiólogos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais de educação física, médicos veterinários e seus respectivos técnicos e auxiliares.

Moradora da Tijuca, a psicóloga Tânia Araújo, de 62, foi a segunda pessoa a chegar para se vacinar no posto de saúde. Era pouco antes das 5h. Acompanhada do marido, um idoso de 61 - que não faz parte deste grupo prioritário - a profissional reclamou da falta de clareza de informações por parte da Prefeitura do Rio.

Com medo de não ser imunizada, Tânia, que mora próxima ao local de vacinação, decidiu ir para frente do posto antes mesmo dele abrir.

— Ficou um mal entendido na questão do horário (da imunização). Eu achei muito bagunçado. No site (da Prefeitura) estava a partir das 12h e a imprensa falava as 8h. Para garantir, pois a demanda será grande e muitos de nós estamos deixando de atender para se cuidar e proteger nossos pacientes, vim mais cedo — afirmou.

Outras duas categorias foram incluídas: funcionários do sistema funerário que tenham contato com cadáveres potencialmente contaminados e trabalhadores que realizam exames de Covid-19. Além disso, será finalizada a vacinação dos funcionários de urgência e emergência das unidades hospitalares envolvidos no atendimento à Covid-19.

O grupo da nova fase de vacinação soma cerca de 66 mil pessoas, segundo a Secretaria municipal de Saúde.