Vacinação: semana começa com incerteza sobre novas doses no Estado do Rio

André Coelho e Rodrigo de Souza
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Com a expectativa da entrega de novas doses da vacina CoronaVac pelo Instituto Butantan, a semana começa com indefinição sobre a imunização no Estado do Rio, que ainda não recebeu comunicação oficial do Ministério da Saúde sobre novas remessas. A Secretaria Estadual de Saúde deve concluir hoje a distribuição de 173,5 mil doses para a segunda aplicação nos 92 municípios do estado, iniciada na última sexta-feira com o envio de vacinas para as cidades de Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Maricá. Na mesma leva, estão sendo entregues outras 20 mil doses, parte da reserva técnica destinada a repor perdas. Com isso, o estoque de vacinas do estado ficará zerado. Ontem, o Estado do Rio ultrapassou a marca de 572 mil casos confirmados, com 128 novas mortes registradas no fim de semana.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, o estado recebeu informações pela imprensa sobre a chegada de doses da CoronaVac já amanhã, mas até o momento não houve comunicação oficial do Ministério da Saúde sobre novas remessas.

— Estamos com a logística pronta. Chegando na terça-feira, na quarta-feira já vamos distribuir para todos os municípios — garantiu.

Chaves disse que a pasta também não recebeu orientações oficiais sobre o uso das novas remessas exclusivamente como primeira dose, sem a reserva de vacinas, como foi feito nas primeiras levas. Ele afirmou que cumprirá o que for determinado pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, o novo calendário de vacinação de idosos deve ser divulgado nos próximos dias, a partir da comunicação oficial sobre novas doses. Em reunião com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) na última sexta-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que serão entregues 4,7 milhões de doses até o dia 28 de fevereiro, sendo cerca de 2 milhões da CoronaVac e 2,7 milhões da Oxford/AstraZeneca.

Em meio à indefinição, cerca de 240 mil idosos entre 75 e 82 anos, que seriam vacinados no município do Rio até o fim desta semana, trocaram a euforia pela frustração. Ansiosa para ser vacinada, a aposentada Yara Reis, de 82 anos, viu o calendário ser paralisado justamente no dia 17 de fevereiro, quando seria imunizada.

— Estava animada para receber meu neto, que disse que viria me visitar depois que eu me vacinasse. Agora, já não tenho mais a menor ideia de quando vou ser vacinada — diz ela.

Apesar da suspensão do calendário na cidade do Rio, a imunização continuará a partir de hoje para um pequeno grupo de idosos que não pode sair de casa. A vacinação de pessoas acamadas será possível por conta do recebimento de 8.600 doses que faziam parte da reserva técnica do estado.

Segundo a secretaria municipal de Saúde, a vacinação dos acamados é realizada pelas equipes de saúde da família, conforme solicitação feita nas unidades básicas de saúde.

Hoje acontece o depoimento da médica residente do posto de saúde de Copacabana acusada por uma técnica de enfermagem de ter sido responsável pela aplicação de uma “vacina de vento” numa idosa. O caso está sendo investigado pela 12ª DP, que também vai ouvir a filha da idosa.

Casos de “vacina de vento” também estão sendo investigados em Niterói e em Petrópolis. As autoridades de saúde orientam todos os pacientes e acompanhantes a observarem todas as etapas da vacinação, para evitar erros na aplicação.