Vacina única para Covid-19 e gripe: primeira pessoa é imunizada em estudo clínico nos EUA

A farmacêutica americana Pfizer e a empresa de biotecnologia alemã BioNtech anunciaram nesta quarta-feira o início da primeira fase dos estudos clínicos de uma vacina que combina a proteção contra a Covid-19 e a gripe em uma dose única. Os laboratórios, que colaboraram no desenvolvimento do imunizante atual para o coronavírus, aplicaram hoje a primeira dose da nova formulação em um voluntário.

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A vacina utiliza a mesma tecnologia da proteção original contra o Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19: o RNA mensageiro (RNAm). A plataforma funciona como um manual de instruções para que o próprio organismo produza determinadas proteínas liberadas pelos vírus, que levam o sistema imunológico a reconhecer os microrganismos e a produzir defesas contra eles.

“A flexibilidade e a velocidade de fabricação da tecnologia de RNAm demonstraram que ela é adequada para outras doenças respiratórias. Achamos que (a vacina conjunta) pode simplificar as práticas de imunização contra esses dois patógenos respiratórios, levando potencialmente a uma melhor aceitação da vacina para ambas as doenças”, afirma a vice-presidente sênior e diretora científica de pesquisa e desenvolvimento de vacinas da Pfizer, Annaliesa Anderson, em comunicado.

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O novo imunizante combina duas outras aplicações desenvolvidas recentemente. Uma delas é a proteção quadrivalente, ou seja, para quatro versões, do vírus Influenza, causador da gripe. Embora já existam vacinas do tipo disponíveis, essa é a primeira formulação que utiliza a tecnologia de RNAm.

Já a outra parte da vacina é composta pela dose atualizada bivalente contra o coronavírus, que recebeu recentemente o aval de agências de saúde de diversos países, como os Estados Unidos, e que está em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil. É a versão que engloba a cepa ancestral do Sars-CoV-2, descoberta ainda em 2019, e as subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron, prevalentes hoje no mundo.

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A etapa dos estudos clínicos da nova vacina que teve início hoje é a primeira de três fases antes do pedido de aprovação pelas agências regulatórias. Ela é menor, contará com apenas 180 voluntários, entre 18 e 64 anos, nos Estados Unidos. Isso porque o objetivo é somente garantir que a dose é segura e de fato induz uma resposta do sistema imune. Os participantes serão monitorados por um período de seis meses.

“Os dados também nos fornecerão mais informações sobre o potencial das vacinas de RNAm abordando mais de um patógeno. Isso nos ajudará a desenvolver ainda mais nossas vacinas para doenças infecciosas e fornecer abordagens de vacinação centradas no paciente”, diz o CEO e fundador da BioNTech, Ugur Sahin.

Em seguida, o segundo estágio confirma a produção de anticorpos e células de defesas para que, na última, seja avaliada a eficácia em realmente evitar a doença e suas formas graves. É quando metade dos voluntários recebe placebo e a outra metade, o imunizante. Após ambos serem expostos aos vírus em vida real, a incidência da doença é analisada em ambos os grupos para se verificar se a aplicação reduziu o risco para contágio ou agravamento.

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Parceria Pfizer e BioNTech

A parceria entre a Pfizer e a BioNTech para o desenvolvimento de vacinas teve início ainda em 2018 no desenvolvimento do novo imunizante para o vírus Influenza com a tecnologia de RNAm – formulação que está na última fase dos testes clínicos e é justamente a que faz parte da nova dose conjunta com a Covid-19.

Em 2020, com a pandemia, os laboratórios expandiram a colaboração e desenvolveram juntos a primeira vacina a receber um aval da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a proteção contra a Covid-19. Neste ano, as empresas anunciaram mais um imunizante desenvolvido de forma conjunta, para a herpes-zóster, doença causada pela reativação do vírus varicela zóster no organismo.