Vacina chega às aldeias com desafio de combater também a desinformação

Daniel Gullino
·2 minuto de leitura
Fotoarena / Agência O Globo

TABATINGA (AM) — A desinformação em relação à vacina contra a Covid-19 não está restrita aos grandes centros: ela chega também em lugares remotos, como a aldeia indígena Umariaçu I, no Amazonas. Entretanto, equipes do Ministério da Saúde e trabalhadores de saúde locais acreditam que o diálogo e o trabalho de base serão eficazes para conscientizar a população sobre a importância da vacina. Além disso, o próprio início da campanha é uma aposta para diminuir os receios.

A vacinação em aldeias indígenas foi iniciada na terça-feira em todo o país. Na região do Alto Solimões, a aldeia escolhida para o início da campanha foi Umariaçu I, que fica ao lado da cidade de Tabatinga (AM). Cerca de 1.200 doses foram entregues, o suficiente para imunizar toda a população local acima de 18 anos.

Nos dias anteriores à vacinação, o próprio cacique da aldeia, Dickcinei, espalhou preocupações infundadas sobre a vacina. Ele não participou da cerimônia que marcou a aplicação da primeira dose. Mais tarde, contudo, ele se vacinou, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), vinculada ao Ministério da Saúde.

Autoridades locais de saúde minimizaram a postura do cacique. O coordenador do Distrito Sanitárioa Especial de Saúde (DSEI) do Alto Solimões, Weydson Pereira, afirmou que o próprio início da vacinação vai ajudar a diminuir a resistência.

— Esse momento é muito importante. Eles vão ver o próprio indígena falando e ajudando — afirma Weydson — Existe um medo. Muitos que estão aqui tomando pensaram isso, mas vieram, sabem da importância. A partir de amanhã, a adesão vai ser maior.

O técnico em enfermagem Tarcis Marques foi um dos primeiros a serem vacinados em Umariaçu. Ele disse que esperava ser um exemplo para o resto dos moradores.

— Estou dando o exemplo para a minha população. Vou mostrar que não são (verdadeiros) muitos boatos que estão falando — disse.

Outro técnico que atua na região, Mácio Arévalo afirmou que a principal ferramenta de conscientização da população são os agentes de saúde, que trabalham no atendimento cotidiano e, por isso, tem a confiança dos moradores.

— A gente sempre fortalece os nossos AS — relata. — O agente indígena de saúde é da comunidade, ele é daquela área. Então, a população tem uma confiança muito grande nele quando se fala em saúde. Ele é o médico da aldeia. Qualquer hora, qualquer dia, a população recorre a ele.

O enfermeiro Elzimar Almeida, que aplicou as primeiras doses na aldeia, relata que há uma preocupação por parte de alguns, mas afirma que os meios de comunicação ajudam na conscientização.

— A população também tem televisão, rádio, (recebe notícias) através de redes sociais. Então já estão vendo que é uma coisa importante para nós.

*Repórter e fotógrafo viajaram a convite do Ministério da Defesa