Vacina da Fiocruz tem 70% de eficácia já na primeira dose, diz pesquisadora

Redação Notícias
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NHS advanced nurse practitioner Edwina Williams holds a phial of the Oxford/Astrazeneca Covid-19 vaccine before it is administered to residents at Belong Crewe care village in Crewe, northwest England on January 14, 2021. - The government has come under increasing pressure to speed up its vaccination programme, and is now reported to be planning a pilot scheme to see if there is demand for late-night jabs. (Photo by Oli SCARFF / AFP) (Photo by OLI SCARFF/AFP via Getty Images)
Percentual fez com que governo adotasse estratégia de estender o intervalo entre as doses para ampliar o alcance da vacinação na população. (Foto: OLI SCARFF/AFP via Getty Images)

A vacina contra a Covid-19 fabricada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, consegue atingir uma eficácia de 70% já na primeira dose.

A afirmação é da coordenadora no Brasil dos ensaios clínicos, Sue Ann Costa Clemens. Diretora do Grupo de Vacinas da Universidade de Oxford, a pesquisadora explica que, apesar do alto percentual, ainda não é possível dispensar a segunda dose da vacina.

“A vacina demonstra uma eficácia de 70% com uma dose, e desde o início nós apostamos que essa era uma vacina de uma dose — para depois darmos apenas um reforço. Nos testes no Reino Unido, demos a segunda dose com um intervalo maior, vacinamos com intervalos de até 12 semanas”, disse, em entrevista ao jornal O Globo.

De acordo com Sue Ann, já ficou comprovado que a segunda dose pode ser dada três meses depois da primeira, elevando a eficácia para mais de 80%.

“Conseguimos demonstrar que um intervalo maior gera eficácia maior. Você dá uma dose, o seu sistema começa a desenvolver uma resposta imune, e a resposta cresce com a segunda, para mais de 80% de proteção”, completa ela.

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O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse na segunda-feira (11) que o governo federal pretende priorizar a primeira dose da vacina para atingir um maior número de pessoas, e somente depois dessa fase seria iniciada a segunda aplicação no país.

Na avaliação da pesquisadora, a estratégia anunciada é uma decisão acertada.

“Isso propicia uma estratégia de saúde pública muito mais ampla, dá mais tempo para a Fiocruz produzir as doses e atuar no país como um todo. Muita gente critica o nosso país por não ter começado a vacinação — mas muitos começaram para dizer que estão fazendo, sem estratégia. Vários países da Europa estão preocupadíssimos porque receberam doses de determinada marca, vacinaram uma parcela da população, e estão sem doses para continuar.”

A vacina da Fiocruz aguarda a aprovação para uso emergencial da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), juntamente com a CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

O decisão da Anvisa está marcada para acontecer no domingo. Segundo Pazuello, os estados receberão os lotes de imunizantes até quatro dias depois de a agência dar o “sim” para o uso.