Vacina da J&J "aumenta risco" de desenvolver rara doença no sistema nervoso

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A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos (FDA) atualizou nesta segunda-feira (12) seus avisos sobre a vacina contra a covid-19 da Johnson & Johnson para incluir uma informação sobre um "aumento do risco" do desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (GBS).

Com base em um sistema de monitoramento federal sobre a segurança das vacinas, a FDA identificou 100 casos do raro distúrbio neurológico após a injeção de 12,5 milhões de doses. Destes, 95 foram graves e obrigaram a hospitalização do paciente. Uma morte foi relatada.

"A probabilidade de isso acontecer é muito baixa e a taxa de casos relatados excede a taxa básica [de incidência sem qualquer intervenção, ndlr] por uma pequena margem" na população em geral, disse a Johnson & Johnson em um comunicado.

A notícia representa um novo golpe para o imunizante da J&J, que recebeu autorização para uso emergencial em fevereiro, mas que tem papel menor na campanha de vacinação dos Estados Unidos contra a covid-19.

A GBS é um distúrbio neurológico no qual o sistema imunológico do corpo danifica as próprias células nervosas, causando fraqueza muscular ou, nos casos mais graves, paralisia.

Afeta cerca de 3.000 a 6.000 pessoas a cada ano nos Estados Unidos. A maioria dos pacientes se recupera.

O novo alerta de vacina observa que, na maioria das pessoas, os sintomas começaram dentro de 42 dias após a inoculação, embora afirme que "a probabilidade de isso acontecer é muito baixa".

Também acrescenta que as pessoas devem procurar atendimento médico imediato se sentirem fraqueza ou formigamento, principalmente nas extremidades, que pioram ou se espalham para outras partes do corpo.

Elas também devem se consultar com urgência em casos de dificuldade para andar, falar, mastigar ou engolir, além de realizar outros movimentos faciais, visão dupla ou perda da função da bexiga ou intestinal.

- Mais benefícios do que riscos -

Embora a FDA trabalhe com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) no monitoramento da segurança da vacina, "continua a acreditar que os benefícios conhecidos e potenciais claramente superam os riscos", disseram as fontes.

Foram observados casos deste distúrbio após a administração de certas vacinas, incluindo aquelas que previnem a gripe sazonal e herpes-zóster.

Até o momento, nenhum sinal de distúrbio neurológico foi identificado após a inoculação com as vacinas da Moderna e Pfizer-BioNTech.

A vacina da J&J sofreu graves problemas de produção e uma fábrica de Baltimore responsável por sua fabricação foi fechada por três meses devido a problemas de contaminação.

Mesmo assim, o imunizante foi submetido a um hiato de segurança em abril, depois da identificação de um aumento no risco de um paciente desenvolver uma forma rara de coagulação, principalmente em mulheres jovens.

A suspensão foi retirada depois que se determinou que o perigo era remoto e que os benefícios superavam os riscos, mas o episódio resultou numa queda de demanda pela vacina da J&J.

A informação chega em um momento em que a demanda por vacinas anticovid está diminuindo nos Estados Unidos, com apenas cerca de 430 mil aplicações por dia. A média máxima em sete dias foi de cerca de 3,5 milhões de doses em abril.

Os casos de coronavírus estão aumentando novamente nos estados do centro-oeste e sul do país, onde a vacinação não avançou o suficiente, com domínio da variante Delta, muito mais contagiosa.

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