Vacina da Pfizer deve ser vendida com preço reduzido ao Brasil

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.03.2020 - Retrato de Carlos Murillo, presidente da Pfizer no Brasil. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 16.03.2020 - Retrato de Carlos Murillo, presidente da Pfizer no Brasil. (Foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A farmacêutica norte-americana Pfizer pretende disponibilizar sua futura vacina contra a Covid-19 por valores menores para países com menor capacidade econômica, o que pode ter impacto sobre os preços para o governo brasileiro.

A diferença de precificação "ajuda a garantir a equidade de modo que todo os países possam ter acesso à nossa vacina", de acordo com nota da empresa.

Segundo noticiou a Reuters, haverá três preços diferentes para a vacina: um para países desenvolvidos, outro para os países em desenvolvimento (como é o caso do Brasil) e um terceiro para países mais pobres.

A vacina BNT162, que está em desenvolvimento pela Pfizer e a empresa alemã BioNTech, se baseia em trechos de RNA (molécula "prima" do DNA) que compõem o material genético do vírus.

O RNA viral da vacina contém a receita para a produção da chamada proteína S (de "spike" ou espícula, o gancho molecular usado pelo Sars-CoV-2 para se conectar às células humanas). Espera-se que, uma vez dentro das células, esse pedaço de RNA seja usado para iniciar a produção da proteína S, a qual, por sua vez, desencadeará uma reação de defesa do organismo. Quando o organismo entrar em contato com o vírus real, a esperança é que ele já esteja com anticorpos prontos para combatê-lo.

Tudo indica que a técnica é relativamente segura, mas resta demonstrar sua eficácia --até hoje, nenhuma vacina de RNA foi liberada para uso comercial.

No Brasil, as vacinas que estão na última fase de testes, com diferentes técnicas e abordagens, são as de Pfizer/BioNTech, Sinovac, Universidade de Oxford/AstraZeneca e Janssen (Johnson & Johnson).

No caso da Coronavac, da chinesa Sinovac, e da vacina de Oxford/AstraZeneca, já há contrato de transferência de tecnologia para a produção no Brasil pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz, respectivamente.

Em nota, a Pfizer afirma que já está em contato com o governo brasileiro para tratar de uma possível aquisição da imunização, caso se confirmem os resultados positivos da pesquisa em andamento.

A vacina da farmacêutica apresentou mais de 90% de eficácia na análise preliminar dos testes de fase 3 (última antes da aprovação), conforme divulgou a própria empresa na segunda-feira (9). Os resultados ainda são parciais e não correspondem à conclusão do ensaio clínico.

Em fases anteriores de estudo, a vacina, administrada em duas doses, estimulou a produção elevada de anticorpos após 28 dias de aplicação.

Um dos aspectos que podem dificultar a distribuição da vacina no Brasil é a temperatura na qual ela deve ser mantida. Segundo a empresa, a imunização deve ser armazenada a -75°C. Para contornar essa particularidade, a empresa diz ter desenvolvido um container com temperatura controlada que usará gelo seco para a vacina se mantenha a -75°C por até 15 dias.