Vacina da Pfizer: entenda como será uso das primeiras doses e saiba mais sobre o imunizante que chega ao país

O Globo
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RIO — O primeiro lote com 1 milhão de doses da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer e pela BioNTech chegou ao Brasil nesta quinta-feira.

A remessa faz parte de um acordo que prevê a entrega de 100 milhões de doses do imunizante ao Brasil, das quais 15,5 milhões devem chegar até junho. A vacina da Pfizer foi a primeira a receber registro definitivo no país, em fevereiro.

Segundo o resultado do ensaio clínico, divulgado no final do ano passado, a vacina tem eficácia de 95% contra a Covid-19. Saiba mais informações sobre o imunizante e como será o uso das primeiras doses no Brasil:

Armazenamento e distribuição

A vacina da Pfizer/BioNTech exige armazenamento em temperaturas mais baixas do que os dois imunizantes contra a Covid-19 utilizados atualmente no país (CoronaVac e a fórmula produzida pela AstraZeneca/Oxford).

Segundo o Ministério da Saúde, as doses da Pfizer chegarão ao Brasil armazenadas em caixas a uma temperatura de -70°C.

A previsão da pasta é de que a distribuição para as 27 capitais do país inicie entre sexta-feira e sábado, em uma "divisão proporcional e igualitária".

Não foi informado quantas doses serão destinadas para cada município. "Isso deve ser definido tão logo as doses estejam em solo brasileiro", informou a assessoria da pasta.

Segundo o Ministério, os estados receberão as vacinas armazenadas entre -25°C e -15°C, temperatarua em que e elas podem ficar por até 14 dias. Por isso, a distribuição será feita em duas etapas: primeiro serão enviadas, aos estados e ao Distrito Federal, 500 mil unidades destinadas à primeira dose. Uma semana depois, as unidades federativas receberão a outra metade, para a segunda dose.

Vacinação nas capitais

O Ministério da Saúde explica que "assim que os imunizantes chegarem nas salas de vacinação, na rede de frio nacional (+2°C a +8°C), a aplicação na população deve ocorrer em até cinco dias".

Por esse curto espaço de tempo, a pasta orienta que a vacinação com as doses dessa primeira remessa fique restrita às capitais e, se possível, ocorra em unidades de saúde que possuam câmaras refrigeradas cadastradas na Anvisa.

Intervalo entre doses

A recomendação é que o intervalo entre a primeira e segunda doses do imunizante seja de 21 dias.

Logística no Rio, São Paulo e Belo Horizonte

A Secretaria de Saúde de Minas Gerais informou que ainda está avaliando as orientações técnicas e as especificidades em relação ao armazenamento da vacina. A Prefeitura de Belo Horizonte, por sua vez, disse que ainda aguarda informações sobre o quantitativo de doses que será repassado ao município.

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou apenas que "vem se reunindo" com a secretaria estadual para planejamento sobre estocagem e operacionalização da vacina.

Já a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou, por meio de nota, que "possui câmaras frias a -20 graus Celsius para recebimento da vacina da Pfizer em seus centros de distribuição" e que, "neste primeiro momento as doses serão utilizadas na Capital, de acordo com o preconizado pelo Ministério da Saúde". A pasta afirmou que "aguarda o envio de freezers especiais por parte do órgão federal para ampliar a infraestrutura adequada e utilizar este imunizante em outras regiões".

Testes em crianças

A vacina da Pfizer/BioNTech pode ser utilizada por maiores de 16 anos. Nos EUA, as empresas já apresentaram um pedido para ampliar a autorização da vacinação e alcançar a população entre 12 e 15 anos. Segundo a BioNTech, os laboratórios estão prestes a apresentar o pedido à União Europeia.

A empresa também espera resultados até julho dos testes sobre o uso do imunizante em crianças de 5 a 12 anos e em setembro para bebês a partir dos seis meses de idade.

Pfizer prepara pílula contra a Covid-19

Em entrevista ao canal CNBC na terça-feira, o CEO da Pfizer, Albert Bourla, disse que um tratamento experimental contra a Covid-19 da empresa, de uso oral, pode estar disponível até o fim deste ano.

Em março, a Pfizer começou a testar a segurança da pílula em humanos. Se tiver sucesso nos testes, poderá ser prescrita no início de uma infecção para bloquear a replicação viral antes que os pacientes fiquem muito doentes. A droga se liga a uma enzima chamada protease para impedir a replicação do vírus.

A Pfizer também está testando um medicamento administrado por via intravenosa a pacientes hospitalizados.

Laboratório sugere terceira dose

O cofundador da BioNTech, Ugur Sahin, alertou na quarta-feira que a proteção proporcionada pelo imunizante pode "enfraquecer" com o tempo e sugeriu a aplicação de uma terceira injeção.

De acordo com Sahin, a eficácia da vacina BioNTech-Pfizer diminui de 95% para cerca de 91% após seis meses. Ele sugeriu que a terceira dose seja administrada de nove a 12 meses após a primeira.