Vacina de Oxford é aprovada pela Anvisa em caráter emergencial

Redação Notícias
·5 minuto de leitura
(Owen Humphreys/PA via AP)
(Owen Humphreys/PA via AP)

A Anvisa aprovou o uso emergencial da vacina de Oxford, produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Com isso, a vacinação com esse imunizante está autorizada de acordo com calendários previamente divulgados.

A votação na Anvisa segue acontecendo, mas dos cinco votos possíveis, quatro já optaram por aprovar o uso emergencial tanto da vacina de Oxford quanto da CoronaVac, produzida em parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório Sinovac.

Primeiro voto foi pela aprovação

Meiruze Freitas foi a primeira relatora a votar neste domingo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decide neste domingo os pedidos de uso emergencial de duas vacinas contra a Covid-19:Oxford e a CoronaVac

Entre as considerações feitas, Meiruze pediu aos dois fabricantes que os lotes das vacinas sejam produzidos de acordo com as boas práticas, a garantia da continuidade dos ensaios clínicos (testes) e acompanhamento dos voluntários que participaram do estudo das duas vacinas.

Meiruze Freitas é uma das cinco integrantes da diretoria colegiada da Anvisa responsáveis por tomar a decisão. A servidora, na diretoria desde abril de 2020, já atuou como adjunta de diretor, gerente geral de Toxicologia e gerente da área de medicamentos.

Segundo voto também foi positivo

Segundo a votar e também favorável, o economista Romison Rodrigues Mota, na Anvisa há 15 anos, listou uma série de fatores para justificar o seu posicionamento. “As vacinas são a forma mais eficazes de prevenir doenças infecciosas, salvando milhares de vidas em todo o mundo. O grave cenário de pandemia que vivemos, com crescente números de infectados e óbitos e o indicativo de colapso de saúde, tanto público quanto privado”, disse.

Mota ainda apontou “a importância do acesso ao imunizante que atenue de forma preventiva para conter a propagação do vírus, além do empenho dos laboratórios na corrida para produzir vacinas seguras e eficazes”.

Terceiro voto foi favorável e sacramentou aprovação

Autor do terceiro voto que garantiu a aprovação do uso emergencial da vacina contra Covid-19, Alex Machado Campos, lembrou que a agência foi alvo de duras críticas no processo.

E reforçou a importância do monitoramento dos efeitos adversos da vacina.

“Tanto Fiocruz quanto Butantan apresentando plano de gerenciamento de risco. Ambas vacinas apresentam requisitos mínimos de qualidade necessários. Considerando aumento progressivo da ocupação dos leitos hospitalares, voto pela autorização do uso emergencial das vacinas”, disse,

Alex Machado Campos é servidor de carreira da Câmara dos Deputados e assumiu o cargo na Anvisa recentemente, em novembro de 2020.

Rápido, quarto voto também foi favorável

Penúltima relatora a votar, a médica Cristiane Jourdan Gomes lembrou que a vacina “representará impacto relevante para os profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate à pandemia. E tem potencial de reduzir internações em casos graves”. Ela fez questão de lembrar que “a Anvisa não parou em nenhum momento”. Cristiane trabalhou com gestão no Ministério da Saúde e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O que é a vacina de Oxford?

A vacina de Oxford é um imunizante contra a Covid-19 produzido pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca que funciona com uma tecnologia conhecida como vetor viral recombinante. Isso quer dizer que sua produção acontece a partir da versão enfraquecida de um adenovírus que causa resfriado em chimpanzés, mas não tem efeito em seres humanos.

Do imunizante que é criado, os produtores da vacina de Oxford adicionaram material genético usado na proteína conhecida como “spike” do Sars-Cov-2. É essa que ele usa para invadir as células, o que induz os anticorpos.

Qual foi a eficácia da vacina de Oxford? O que isso significa?

A vacina de Oxford apresentou uma eficácia média de 70,4%, chegando a até 90% de eficácia no grupo que tomou a dose menor. Os dados foram publicados na "The Lancet", em dezembro

O índice mínimo recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovação é 50%. A taxa de eficácia representa a proporção de redução de casos entre o grupo vacinado comparado com o grupo não vacinado.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores da vacina de Oxford analisaram os dados de 11.636 pessoas vacinadas. Dessas, 8.895 receberam as duas doses completas, e 2.741 receberam a meia dose seguida de uma dose completa. Aproximadamente 88% dos voluntários analisados, 10.218 deles, tinha entre 18 a 55 anos de idade.

No estudo publicado, no entanto, a eficácia da vacina nos participantes acima de 56 anos não foi avaliada.

Nos ensaios, metade dos participantes do teste recebeu a vacina contra a Covid-19 e a outra metade recebeu um placebo. O estudo foi projetado para avaliar uma única dose da vacina, mas, após revisão dos dados de fases 1 e 2 no Reino Unido, outra dose foi adicionada ao protocolo de teste.

Vacina de Oxford: quantas doses serão produzidas para o Brasil?

Em entrevista coletiva no dia 7 de janeiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que prevê mais de 250 milhões de doses da vacina de Oxford para o Brasil.

Segundo as contas do ministro, serão produzidas 100,4 milhões de doses pela Fiocruz até julho, com a produção da função chegando a mais 110 milhões de doses entre agosto e dezembro.

Para fechar os números, o ministro ainda fala de 42,4 milhões de doses recebidas por meio do consórcio Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Vacina de Oxford: quanto cada dose custará ao governo federal?

Com a produção da vacina pela Fundação Oswaldo Cruz, cada dose deverá custar U$S 3,75 (cerca de R$ 20) ao governo federal.

Quais países aplicarão a vacina de Oxford?

O Reino Unido já começou a imunização com a vacina Oxford/AstraZeneca em 4 de janeiro. O país foi o primeiro do mundo a aprovar o imunizante.

Além do Reino Unido, Índia, Argentina e México liberaram o uso em caráter emergencial da vacina da Oxford, mas ainda não começaram seus processos de imunização da população.

Vacina de Oxford: quantas doses são necessárias para ficar protegido?

A vacina de Oxford será aplicada em duas doses. Segundo especialistas do Reino Unido, o imunizante chega a 70% de eficácia com 21 dias após a primeira dose. Quando aplicada a segunda dose, 12 semanas após a primeira, essa eficiência pode chegar a 100% de acordo com a farmacêutica AstraZeneca.