Vacina: Ministério da Saúde vai apurar se doses estragaram por falta de luz no Hospital de Bonsucesso

André Coelho
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Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Uma apuração da superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro vai determinar se 728 doses da Coronavac que estavam no Hospital Federal de Bonsucesso e podem ter ficado acima da temperatura máxima de armazenamento serão enviadas para análise de eficácia no Instituto Butantan, em São Paulo. As doses, que podem ser descartadas, estavam guardadas em uma ala do hospital que não é coberta por geradores, e que teria ficado sem luz por problemas na rede elétrica da unidade no último domingo.

As vacinas foram enviadas para a Secretaria municipal de Saúde, que separou os frascos e aguarda a decisão do Ministério da Saúde. Caso as vacinas estejam inapropriadas para o uso, novas doses podem ser enviadas para a unidade pela reserva técnica da secretaria estadual de Saúde. Segundo a bula da vacina disponibilizada pelo instituto Butantan, ela deve ser armazenada em temperaturas entre 2º e 8º C, que podem ter sido ultrapassadas com a queda de luz.

Segundo um médico que trabalha no hospital, as interrupções no fornecimento de energia são frequentes por problemas na subestação de energia na unidade, e teriam sido agravados depois do incêndio ocorrido em outubro. Segundo ele, as vacinas estavam armazenadas no prédio 5, que estaria praticamente vazio no último domingo.

— Houve um pico de luz e o gerador entrou para o resto do hospital, mas o prédio 5 não é servido pelo gerador. Quando perceberam, não souberam quanto tempo ficou (sem luz), porque logo depois a luz voltou. Aparentemente elas estavam normais, mas imediatamente a direção comunicou o município — explicou.

De acordo com o profissional, no prédio onde estavam as vacinas funcionam atualmente laboratórios, onde estavam as doses, o centro de estudos do hospital e alojamentos de médicos residentes.

Segundo a superintendência do Ministério da Saúde, uma apuração foi iniciada na última quarta-feira (27) para apurar o ocorrido. Secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz confirmou o problema e disse que a pasta armazenou as doses em câmara fria e acionou a secretaria estadual de Saúde, que fará a avaliação junto com o Ministério da Saúde.

— A gente recebeu as doses, está entrando em contato com o Ministério para ver qual a melhor estratégia a se fazer. Se for demonstrado que as vacinas têm de fato qualidade, elas serão devolvidas para vacinar os profissionais de lá — disse.

Procurada, a Secretaria stadual de Saúde não respondeu se novas doses serão enviadas para a unidade. A pasta havia reservado cerca de 22 mil doses da CoronaVac, cerca de 5% das 487 mil unidades recebidas, justamente como reserva técnica para casos de perdas por problemas no transporte, armazenamento e aplicação.

Em nota, a Light afirmou que não houve registro de interrupção no fornecimento de energia para o hospital. Já o Instituto Butantan informou que as orientações sobre a conservação da vacina estão contidas na bula, que recomenda o armazenamento entre 2 graus e 8 graus.