Vacina: nascida durante a gripe espanhola, idosa centenária recebe 1ª dose contra Covid-19 na Gávea

Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Marcia Foletto/Agência O Globo

Nascida em 1919, durante a gripe espanhola — que matou cerca de 50 milhões de pessoas pelo mundo entre 1918 e 1920 —, a jornalista Zuleide Souza de Lima, 101 anos, foi a primeira a ser vacinada contra a Covid-19 no Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, na Zona Sul do Rio, na manhã desta segunda-feira. Dona Zuleide, que já contou a história de muitas pessoas, durante sua trajetória profissional, agora se vê fazendo parte de uma. Nesta segunda, de acordo com o calendário da nova etapa de vacinação, estão sendo imunizadas no estado do Rio pessoas com 99 anos ou mais. A Secretaria municipal de Saúde (SMS) prevê imunizar 220 mil pessoas, acima de 80 anos, em fevereiro. Na terça-feira, será a vez dos idosos com 98, e assim, sucessivamente, até sexta, com pessoas de 95.

— A pessoa vacinada tem uma segurança, não é mesmo? Vi muita coisa na minha vida e agora estou vivendo esse momento. Momento histórico e importante para todos nós — comemorou Zuleide.

Muito alegre e ativa, a aposentada que mora no Leblon e tem uma filha, três netos e 12 bisnetos e que no próximo mês de março completa 102 anos, tem bom humor.

— Eu pareço com essa idade? Não, né? Olha, eu já trabalhei no Jornal O GLOBO e lembro das coberturas de vacinação que fizemos. Agora, estamos vivendo nessa pandemia e peço que as pessoas se vacinem. É uma coisa real (a pandemia) e que todos tem que tomar a vacina. Estou aliviada com esse cuidado — contou Zuleide que estava acompanhada de uma cuidadora e de uma fisioterapeuta.

Fundador de uma rede de saúde, o empresário Milton Soldani Afonso, de 99 anos, foi o segundo a receber a dose.

O idoso foi infectado pela Covid-19 em agosto e ficou em estado gravíssimo no CTI de um hospital particular de Copacabana. Hoje, ao ser vacinado, Afonso, que tem quatro filhos, 12 netos e quatro bisnetos, celebrou:

— Deus tem me abençoado muito (e consegui me curar). Mais um vez eu venci uma barreira, pois a vida é uma luta. Hoje, estou vacinado. Vi a Primeira e a Segunda Guerra e agora essa pandemia. A vacina era um sonho, um sonho triste.

A aposentada Haymee Lima Figueiredo, de 99 anos, foi a primeira pessoa a ser vacinada no sistema drive-thru na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, que vai reforçar a campanha de imunização realizada no Rio em fevereiro. Por dia, serão mil doses da vacina contra a Covid-19. Moradora de Padre Miguel,, dona Haymme estava morando na casa da neta, em Vila Isabel, desde o começo da pandemia. Após receber a dose, dona Haymme começou a desenhar os seus próximos planos:

— Muito feliz, muito feliz. Antes disso tudo, eu saía, não precisava usar máscara. Agora (depois da vacina), eu já começo a pensar a encontrar os meus filhos, neto e o mais importante: voltar para a minha casa. (Esse dia) era tudo que eu mais queria.

As primeiras doses da vacina Coronavac chegaram ao local pouco depois das 9h em um carro da Prefeitura do Rio. Além das mais de 230 unidades de saúde do município, a partir de agora a Uerj também imunizará pessoas do grupo de risco e que estão no quadro prioritário. Parceria entre a universidade e a Prefeitura aconteceu após uma reunião entre o estado e o município na última terça-feira. O objetivo é evitar aglomerações em postos de saúde e preservar a vida dos idosos.

Aos sábados, haverá uma segunda chance para quem perdeu a data marcada.

Para serem imunizados, os idosos precisarão apresentar documento com foto — quem tiver carteira de vacinação também deve levar.

As 232 unidades básicas da prefeitura vão aplicar as doses, das 8h às 17h. Para saber o local mais perto de sua casa, entre no site subpav.org/ondeseratendido/

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde (SMS), todas as mais de 200 unidade da cidade que estão fornecendo as doses das vacinas contra a Covid-19 foram orientadas a vacinarem os pacientes, no período da manhã, com os imunizantes da Oxford/AstraZeneca. O motivo é que cada frasco desta vacina contém 10 doses, e o produzido pelo Instituto Butantan vem com uma só dose.

— Não há distinção das vacinações, mas estamos orientando a usar a Oxford, de manhã, porque vem mais doses, e a da Coronavac, a tarde porque é uma dose. A ideia é que não tenhamos o desperdício da vacina — afirmou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.