Pfizer e BioNTech dizem que sua vacina contra covid-19 é 90% eficaz

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A Pfizer disse nesta segunda-feira (9) que sua vacina experimental contra a covid-19 mostrou ser 90% eficaz na prevenção da doença com base em dados iniciais de um estudo amplo, numa grande vitória na luta contra uma pandemia que matou mais de 1 milhão de pessoas, abalou a economia global e impactou o cotidiano das pessoas.

A Pfizer e sua parceira alemã BioNTech são as primeiras farmacêuticas a anunciarem dados bem-sucedidos de um ensaio clínico em larga escala com uma potencial vacina contra o coronavírus. As empresas disseram que até o momento não encontraram nenhuma preocupação de segurança com a candidata a imunizante e que esperam pedir autorização para uso emergencial da vacina nos Estados Unidos neste mês.

O imunizante está em teste no Brasil, mas não há acordo de compra com as farmacêuticas responsáveis por seu desenvolvimento. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a dizer que a vacina da Pfizer estava “no radar”, mas ainda não foi fechada uma parceria. O Ministério da Saúde tem um contrato com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford. Já o governo de São Paulo - por meio do Instituto Butantan - tem parceira com a Sinovac.

Outra possibilidade para os brasileiros é a Covax-Facility, uma coalizão global do qual o Brasil faz parte. Entre as candidatas à vacina neste grupo, estão 9 imunizantes, mas o da Pfizer não está entre eles.

O produto da farmacêutica americana usa a técnica de RNA, que nunca foi usada no mercado por ser uma tecnologia recente. Outras candidatas à vacina contra covid-19 usam métodos mais tradicionais, como a inativação do novo coronavírus - é o caso da do Butantan-Sinovac - ou uma versão enfraquecida do vírus que causa o resfriado comum (adenovírus) - como a de Oxford.

Acesso limitado

Se obtiver a autorização, o número de doses da vacina será limitado inicialmente. Uma das questões pendentes é por quanto tempo a vacina fornecerá proteção. No entanto, a notícia divulgada dá esperanças de que outras vacinas em desenvolvimento contra o novo coronavírus também possam se mostrar eficazes.

“Hoje é um grande dia para a ciência e para a humanidade”, disse Albert Bourla, presidente-executivo e chairman da Pfizer, em comunicado. “Estamos atingindo este marco crucial em nosso programa de desenvolvimento de vacina em um momento em que o mundo mais precisa, com as taxas de infecção atingindo novos recordes, hospitais ficando superlotados e economias sofrendo para reabrir.”

O presidente-executivo da BioNTech, Ugur Sahin, disse à Reuters que está otimista de que o efeito imunizante da vacina durará por pelo menos um ano, mas a duração da proteção da vacina ainda não está certa.

“Os dados de eficácia são realmente impressionantes. Isso é melhor do que muitos de nós antecipávamos”, disse William Schaffner, especialista em doenças infecciosas da Escola de Medicina da Vanderbilt University, em Nashville, nos EUA. “O estudo não foi concluído ainda, no entanto o dado parece bem sólido.”

“Hoje é um grande dia para a ciência e para a humanidade”, disse Albert Bourla, presidente-executivo e chairman da Pfizer. (Photo: Dado Ruvic / Reuters)
“Hoje é um grande dia para a ciência e para a humanidade”, disse Albert Bourla, presidente-executivo e chairman da Pfizer. (Photo: Dado Ruvic / Reuters)

Registro da vacina

A Pfizer espera obter uma autorização ampla dos Estados Unidos para o uso emergencial da vacina em pessoas de 16 a 85 anos. Para isso, precisará de dois meses de dados de segurança de cerca de metade dos 44 mil participantes de seu estudo, que deve ocorrer no final deste mês.

O índice global de mercados de ações MSCI atingiu uma alta recorde após o anúncio. As ações da Pfizer e da BioNTech registravam fortes altas no mercado norte-americano.

“Estou quase em estado de êxtase”, disse Bill Gruber, um dos principais cientistas de vacinas da Pfizer, em uma entrevista. “Este é um grande dia para a saúde pública e para o potencial de nos tirar a todos das circunstâncias em que estamos agora.”

Pfizer e BioNTech têm um contrato de US$ 1,95 bilhão com o governo dos EUA para entregar 100 milhões de doses de vacina a partir deste ano. Elas também fecharam acordos de suprimento com a União Europeia, Reino Unido, Canadá e Japão.

Para poupar tempo, as empresas começaram a fabricar a vacina antes mesmo de saberem se ela será eficiente. Agora elas esperam produzir até 50 milhões de doses, ou o suficiente para proteger 25 milhões de pessoas ainda em 2020.

A Pfizer disse que espera produzir até 1,3 bilhão de doses da vacina em 2021.

A gigante farmacêutica norte-americana disse que a análise provisória foi realizada depois que 94 participantes do teste desenvolveram covid-19, examinando como muitos deles receberam a vacina na comparação com um placebo.

A empresa não detalhou exatamente como muitos destes que adoeceram receberam a vacina, mas mais de 90% de eficiência significa que não mais de 8 das 94 pessoas infectadas com covid-19 receberam a vacina, que foi administrada em duas doses com cerca de três semanas de diferença.

A taxa de eficiência está bem acima da eficácia de 50% exigida pela Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) para uma vacina contra coronavírus.

Para confirmar a taxa de eficiência, a Pfizer disse que continuará o teste até haver 164 casos de covid-19 entre os participantes. Dado o pico recente da taxa de infecção nos EUA, este número pode ser alcançado no começo de dezembro, disse Gruber.

Os dados ainda têm que ser revisados pela comunidade científica ou publicados em um periódico científico. A Pfizer disse que o fará assim que tiver os resultados do teste inteiro.

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Este artigo apareceu originalmente no HuffPost Brasil e foi atualizado.

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