'Vacina pode levar a um processo de impeachment no futuro', diz Maia sobre Bolsonaro

O Globo
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RIO - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta segunda-feira que o desempenho do governo federal na vacinação contra a Covid-19 pode fazer com que o presidente Jair Bolsonaro “sofra um processo de impeachment muito duro” nos próximos meses. Maia, que acumula mais de 50 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, disse também que a decisão sobre o tema caberá ao novo presidente da Casa, cuja eleição acontecerá em fevereiro. As declarações foram concedidas em entrevista ao site “Metrópoles”.

— O principal erro de todo o governo do presidente Jair Bolsonaro é a questão da vacina. E acho que, pela questão da vacina, se ele não organizar rápido, talvez ele sofra um processo de impeachment muito duro se não se organizar rapidamente. Porque o processo de impeachment, você sabe muito bem disso, é o resultado da organização da sociedade. Como se organizou contra o presidente Collor e contra a presidente Dilma — disse Maia, em referência a processos conduzidos pelo Congresso em 1992 e 2016.

Ainda de acordo com o deputado, ele não percebeu, até agora, uma pressão da sociedade e da classe política que "transbordasse para dentro do Parlamento". Esse movimento, afirma ele, pode acontecer caso o governo não se mobilize em prol da vacinação como ferramenta de combate à pandemia do novo coronavírus. Mais de 50 países já começaram a aplicar imunizante em suas populações, enquanto o Brasil ainda não tem uma data definida para fazer o mesmo.

Apesar da urgência do assunto, Maia afirmou que não caberia a ele discutir o impeachment de Bolsonaro neste momento:

— Estamos em recesso, não vai julgar agora. Eu vou apenas criar um ambiente político de desorganização enquanto num momento em que está se elegendo um novo presidente (da Câmara). Eu acho que esse papel cabe ao novo presidente.

Maia também reafirmou que as ações da Câmara no enfrentamento à pandemia foram seu foco ao longo do ano passado e elogiou a produtividade dos parlamentares. Por essa razão, justificou ele, a discussão sobre um possível impeachment não foi privilegiada.

Questionado sobre a celeridade com que congressistas dos Estados Unidos pretendem discutir o impeachment do presidente Donald Trump nos próximos dias, após apoiadores dele terem invadido a sede do Legislativo norte-americano na semana passada, Maia afirmou que o cenário no país é “mais fácil” dado que Trump “passou dos limites e colocou sua tropa dentro do Parlamento”.