Vacina: segunda fase começa no Rio, e imunizados celebram com emoção, alegria, festa e esperança

Diego Amorim e Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO — A psicóloga Magdala Silva, de 60 anos, sonhava com a data de hoje, que marca o início da segunda fase da vacinação contra o coronavírus no estado do Rio, havia um ano. Nesta quarta-feira, a profissional da saúde foi a primeira pessoa a chegar no Centro Municipal de Saúde João Barros Barreto, em Copacabana, Zona Sul do Rio, às 6h, para ser vacinada contra a Covid-19. Quase duas horas depois, a espera acabou: ela foi imunizada. Até a quarta-feira da semana que vem, todas as Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde da capital estarão realizando a segunda fase da campanha de vacinação.

— Que Deus ilumine os cientistas, que permitiram esse momento, essa conquista superimportante. Estou agradecida a Deus e também a vocês, profissionais da saúde que estão todo dia nessa luta — disse a psicóloga, que trabalha em um curso que capacita cuidadores de idosos em Austin, Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

Em quarentena desde o início da pandemia, em março do ano passado, Magdala não se encontra com os filhos e as netas desde então. A saudade, segundo ela, aperta a cada ligação feita.

Cada vacinado não escondia a alegria por receber a dose contra o coronavírus. A saída da sala era acompanhada por um sorriso largo no rosto.

— Satisfação máxima por ser vacinado. Agora, é esperar a segunda dose para eu voltar a trabalhar. Tive que me afastar do que eu amo fazer, que é cuidar das pessoas — disse o médico Alexandre Mello, de 65 anos.

Aos 42 anos, a técnica de enfermagem Sandra Nascimento, 42 anos, acredita que essa segunda fase da vacinação contra a Covid-19 é sinônimo de esperança. Ela, que foi vacinada na última quarta-feira, conta que ver a alegria dos imunizados é outro motivo para acreditar em dias melhores. Nesta quarta-feira, no CMS João Barros Barreto, ela foi a responsável por aplicar a primeira dose da vacina de Oxford/AstraZeneca na capital fluminense.

— Sensação de esperança. A gente também fica muito feliz quando vê todos esses idosos entrando sorrindo e saindo daqui ainda mais felizes. É um recomeço depois de tanta luta, que não para: as máscaras, o álcool em gel e o distanciamento devem continuar para todos — destaca a técnica.

O primeiro a se vacinar no Clínica da Família Estácio de Sá, no Rio Comprido, na Zona Norte do Rio, com a dose inicial da AstraZeneca foi o médico Alfredo Moutinho, de 69. Emocionado, ele não quis falar com a imprensa. A vacinação do profissional aconteceu pouco depois das 8h. A responsável pela imunização do profissional foi a enfermeira Veluma Caetano das Mercês, de 24 anos, formada durante a pandemia.

— Me formei há sete meses e desde então estou trabalhando. Perdi muitos amigos no Hospital Federal de Bonsucesso e poder vacinar uma pessoa é uma satisfação. Esperamos cessar essa perda de pessoas da nossa família, profissionais e pacientes que acompanhamos . Esperamos voltar a rotina — disse a profissional.

O cardiologista aposentado Roberto Soares Londres, de 80 anos, foi o segundo a ser imunizado no Rio Comprido.

Formado em 1965, o médico já trabalhou em hospitais como o Pedro Ernesto, o Miguel Couto e Hospital da Lagoa. Além das unidades públicas, durante 52 anos ele comandou a Clínica São Vicente, na Gávea. Hoje, o aposentado comemorou:

— Essa é uma doença que se propaga e, por isso, peço que os meus colegas se vacinem. Finalmente é o que a vacina representa. Estou feliz porque fui vacinado.

Joana Angélica Barbosa Ferreira, de 67 anos, que trabalha no setor Microbiologia da Fiocruz há 44 anos, disse que o momento da vacinação foi contagiante. A bióloga comemorou por ter sido a primeira mulher a ser vacinada pela AstraZeneca na clínica.

— Não dói nada. E se doesse é para ter saúde. Temos que nos vacinar. Estou muito feliz. Nem dormi essa noite. Hoje é dia de festa. Venham se vacinar — declarou.

Mãe de dois filhos e moradora do Rio Comprido, a profissional foi a primeira da família a ser imunizada. Há pouco menos de dois meses, Joana perdeu um sobrinho para a Covid-19. Eduardo Leal Keller tinha 13 anos e estudava no 7º ano do Colégio Pedro II, no Campus Humaitá, na Zona Sul do Rio, desde a educação infantil.

— Perdi um sobrinho de 13 anos. Ele vendia saúde há pouco mais de um mês. Por isso, temos que rezar para que toda a população seja vacinada o mais rápido possível.