Vacina Sputnik V apresenta eficácia de 91,4% na última fase de testes, anuncia Rússia

Redação Notícias
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A specialist works during the production of Gam-COVID-Vac, also known as Sputnik-V, vaccine against the coronavirus disease (COVID-19) at a facility of BIOCAD biotechnology company in Saint Petersburg, Russia December 4, 2020. Picture taken December 4, 2020. REUTERS/Anton Vaganov
Cerca de 200 mil pessoas já receberam a Sputnik V na Rússia como parte da campanha de vacinação em massa no país. (Foto: REUTERS/Anton Vaganov)

O laboratório russo Gamaleya anunciou nesta segunda-feira (14) que os dados finais da fase 3 dos ensaios clínicos da vacina Sputnik V, candidata contra Covid-19, indicam uma eficiência de 91,4% contra o novo coronavírus.

O vice-diretor do instituto, Denis Logunov, afirmou em coletiva de imprensa que o imunizante também protegeu os voluntários da forma grave da doença em 100% dos casos.

Os dados apresentados pela Gamaleya ainda não foram publicados nem revisados por pares. Segundo o laboratório, foram avaliados números de 22.600 voluntários, dos quais 78 apresentaram Covid-19. Destes, 62 faziam parte do grupo de controle, que recebe um placebo no lugar da vacina.

Cerca de 200 mil pessoas já receberam a Sputnik V na Rússia como parte da campanha de vacinação em massa no país, que enfrenta uma segunda onda da Covid-19 e registra mais de 2,6 milhões de infecções pelo Sars-CoV-2.

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A Rússia espera produzir 6 milhões de doses por mês a partir de abril de 2021.

No início de novembro, a Rússia havia informado que a Sputnik V tinha uma eficácia de 92%, segundo dados preliminares da terceira fase de pesquisa, e não apresentou efeitos adversos inesperados.

"No decorrer da pesquisa, nenhum efeito colateral inesperado foi detectado. Em parte dos vacinados, houve efeitos temporários como dor no local da inoculação da vacina, sintomas de gripe com aumento da temperatura corporal, fraqueza, cansaço e dor de cabeça ", acrescentou o comunicado.

Na época, o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashkin, destacou que os resultados dos testes clínicos da Sputnik V "mostram que é um meio eficaz de conter a disseminação do coronavírus, prevenir a doença, que é a melhor forma de derrotar a pandemia".

HISTÓRICO DA SPUTNIK V

Em abril, Putin chegou a instruir o governo a tomar decisões para simplificar e encurtar o prazo para testes

Em agosto, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou que o país registrou a primeira vacina contra covid-19: Sputnik V, batizada em homenagem ao primeiro satélite artificial a orbitar em volta da Terra — uma façanha da então União Soviética no auge da Guerra Fria.

Desde seu anúncio, a vacina vem provocando polêmica no mundo — com alguns países interessados em comprá-la. Mas, ao mesmo tempo, vozes da comunidade científica veem com ceticismo o fármaco russo, já que as pesquisas foram conduzidas de forma muito acelerada, e sem passar por todos os estágios recomendados por especialistas e órgãos internacionais.

No Brasil, o governo do Paraná assinou um memorando de cooperação para ter acesso à Sputnik V. Em outubro, o presidente do fundo que financia a Sputnik V disse que a Rússia já havia começado o processo de transferência da tecnologia para uma empresa brasileira, mas ela precisaria passar por todo o processo de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser distribuída no país.

com informações das agências O Globo e BBC Brasil