#Verificamos: Vacina cujos testes foram interrompidos no Peru não está sendo testada no Brasil

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Vacina interrompida no Peru não é a Coronovac - Foto: Ministério da Saúde do Peru
Vacina interrompida no Peru não é a Coronovac - Foto: Ministério da Saúde do Peru

por SAMUEL COSTA

Circula nas redes sociais uma foto do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), segurando uma embalagem da CoronaVac, acompanhada de texto sobre o Peru ter suspendido os testes com “a vacina chinesa”. O imunizante teria provocado “paralisia nas pernas”. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

Vacina interrompida no Peru não é a Coronovac - Foto: Reprodução
Vacina interrompida no Peru não é a Coronovac - Foto: Reprodução

“Urgente: Peru para o teste da vacina chinesa por causar paralisia nas pernas”

Texto que circula junto com uma foto de João Doria segurando uma caixa da Coronavac que, até às 14h30 do dia 14 de dezembro de 2020, tinha sido compartilhado por 445 pessoas

FALSO

A vacina de origem chinesa que está sendo testada no Peru não é a mesma que está sendo testada no Brasil, como sugere a publicação — que inclui uma foto do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), segurando uma caixa da vacina Coronavac. O imunizante testado no país é de outra fabricante chinesa, a Sinopharm, que também realiza ensaios clínicos na Argentina, Emirados Árabes Unidos e Marrocos. A Coronavac não está sendo testada no Peru.

Além disso, embora os testes dessa outra vacina tenham sido interrompidos por causa de uma ocorrência de efeito adverso grave, não há comprovação de que o imunizante seja o causador desse efeito. Não há confirmação oficial de qual seria a ocorrência, mas veículos internacionais noticiaram que seria paralisia nas pernas.

Neste sábado (12), o Ministério da Saúde do Peru informou que os testes da vacina da Sinopharm foram interrompidos. O Instituto Nacional de Saúde (INS) peruano — entidade correspondente à Anvisa — determinou a suspensão dos testes devido à ocorrência de um efeito adverso grave. A nota não explicita qual é esse efeito.

Alguns veículos de comunicação, incluindo a Reuters, CNN e TeleSur noticiaram que um voluntário teria perdido a força das pernas. Em entrevista à Reuters, Germán Malaga, investigador-chefe da Universidade Cayetano Heredia, que coordena os testes no Peru, afirmou que as chances de o fenômeno estar relacionado à aplicação da vacina é mínima. No entanto, por uma questão de segurança, optou-se pela interrupção dos testes.

Vacinas chinesas

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há dez instituições chinesas diferentes realizando testes clínicos de vacinas contra Covid-19. Duas das mais avançadas são a da Sinopharm, uma farmacêutica estatal, e a da Sinovac, uma companhia privada. Esta última está sendo testada no Brasil, em uma parceria com o Instituto Butantan, e também na Turquia e na Indonésia.

No Peru, além do imunizante da Sinopharm, outras duas vacinas estão sendo testadas: a da AstraZeneca com a Universidade de Oxford, que também foi aplicada no Brasil, e a da companhia alemã Curevac.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌Dúvidas‌ sobre‌ ‌o‌ ‌projeto?‌ ‌Entre‌ ‌em‌ ‌contato‌ ‌direto‌ ‌com‌ ‌o‌ ‌‌Facebook‌.

Editado por: Chico Marés

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