'Vacina de vento': MPRJ instaura inquérito civil para apurar caso ocorrido em Niterói

O Globo
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O Ministério Público Estadual (MP-RJ), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde, instaurou, nesta sexta-feira, um inquérito civil para apurar possíveis aplicações irregulares da vacina contra a Covid-19 em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O alvo da investigação é a técnica de enfermagem Rozemary Gomes Pita, de 42 anos, filmada enquanto administrava o imunizante em um idoso de 90 anos, na última segunda-feira, em um posto drive-thru na cidade.

O MP vai avaliar se a profissional cometeu ato de improbidade administrativa ao simular a aplicação da dose. Por nota, o orgão destacou que "um idoso foi ao local na companhia de familiares para ser vacinado e, segundo notícias veiculadas na imprensa, um parente teria filmado a ação e notado que a técnica de enfermagem não aplicou a dose da vacina".

Ainda de acordo com o MP-RJ, será realizada uma análise no vídeo, "para verificar se há indícios de edição fraudulenta", bem como para analisar a "técnica utilizada na aplicação" da vacina. A técnica de enfermagem também será ouvida durante o procedimento.

Nesta quinta-feira, Rosemary Pita tornou-se a primeira profissional do saúde a ser indiciada pela polícia por conta dos casos de "vacina de vento". A investigação da 76ª DP (Niterói) enquadrou a técnica de enfermagem pelo crime de peculato, com pena de 2 a 12 anos de prisão, e também no de infração de medida sanitária, que pode render até 1 ano de reclusão

A profissional chegou a alegar que cometeu um erro por conta do cansaço. Para a polícia, porém, ela agiu intencionalmente. "Como uma profissional experiente vai justificar o motivo de não ter apertado o êmbolo de uma seringa na hora da aplicar a vacina?", pergunta o delegado Luiz Henrique Marques Pereira, titular da 76ª DP. "É provável que esse material seria desviado, talvez até aplicado em outra pessoa, algo realmente muito grave", completa o policial.

A profissional foi afastada pela Secretaria de Saúde de Niterói assim que o caso veio a público. O Conselho Regional de Enfermagem do Rio (Coren-RJ) também apura o ocorrido.