'Vacina de vento': técnica de enfermagem de Niterói alegou não ter aplicado o imunizante por cansaço

Lívia Neder
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A técnica de enfermagem investigada por aplicar "vacina de vento" em um idoso de 90 anos, no posto drive-thru do campus da UFF, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, onde atuava como prestadora de serviço, também trabalhava no Hospital Oceânico — unidade implantada pela prefeitura para o tratamento de casos graves de Covid-19. Afastada das funções, ela justificou o erro alegando cansaço. A técnica está sendo investigada pela Polícia Civil, assim como outros dois técnicos denunciados pelo mesmo problema, no Rio e em Petrópolis. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) também abriu inquérito para apurar as denúncias.

Nas redes sociais, a filha do idoso de Niterói fez um desabafo cobrando e alertando autoridades e parentes de idosos para redobrarem os cuidados na hora da vacinação: "Me sinto na obrigação de falar sobre o que aconteceu no drive-thru onde meu marido levou meu pai para ser vacinado. Tudo seria perfeito se não fosse a maldade de uma técnica de enfermagem, que apenas deu uma agulhada no meu pai", alertou a filha do idoso, completando que, ao acionar a prefeitura, logo foi procurada para receber a dose correta em casa. "Realmente é triste ver um projeto tão bacana ser atingido com tamanha desumanidade por uma técnica que deveria apenas trabalhar corretamente. Não vamos comprometer esse projeto nem a equipe toda por causa de uma pessoa. Temos que auxiliar os bons profissionais e vigiar sim. Cabe agora ficarmos mais atentos para que tudo aconteça corretamente e que a justiça seja feita para que outras pessoas não sejam lesadas", finalizou.

Presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Niterói, o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) encaminhou um ofício à prefeitura cobrando esclarecimentos sobre o episódio e mais transparência na campanha de imunização na cidade. Ele é autor de um projeto de lei que propõe assegurar transparência na vacinação. O projeto, que ainda não foi sancionado, prevê acesso ao código da vacina, número do lote e CPF do vacinador.

— Assim que tomamos conhecimento do caso ocorrido no posto do Gragoatá, acionamos o secretário de Saúde, que nos prestou esclarecimentos, informando que a vacinação foi efetivada na casa do idoso e que procedimentos estão sendo adotados para que isso não se repita, quaisquer que sejam as motivações. A enfermeira em questão alega cansaço. Aprovamos um projeto de lei para assegurar transparência na vacinação, que ainda não foi sancionado. Na tarde desta segunda (dia 15), encaminhei um ofício à prefeitura para assegurar que as medidas previstas no projeto sejam adotadas. Pedimos também acesso ao processo disciplinar instaurado contra a profissional. Solicito que a população fique tranquila e que confie no processo de vacinação, porque aparentemente foi mesmo um caso isolado — ressaltou o vereador.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Niterói informou que reforçou a orientação dos protocolos de aplicação da vacina com os funcionários e supervisores dos pontos de vacinação e que, ao tomar conhecimento do problema, identificou a técnica de enfermagem, que foi imediatamente afastada de suas funções:

"O caso foi notificado ao Conselho Regional de Enfermagem (Coren), como determina o protocolo, e as medidas cabíveis serão tomadas. A família do idoso foi imediatamente procurada. Uma visita foi realizada no mesmo dia, quando um médico e uma enfermeira realizaram a aplicação da vacina na casa dele. Todos os profissionais que participam da ação de imunização no drive-thru na UFF passam por um treinamento e supervisão constantemente, onde são dadas informações técnicas quanto a vacina e sua aplicação. Os técnicos de enfermagem e enfermeiros foram capacitados para a ação na última quarta-feira, com carga horária de seis horas".