Vacinação em São Paulo: logística da 1ª fase custará R$ 100 milhões

João Conrado Kneipp
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A container carrying doses of the CoronaVac vaccine is unloaded from a cargo plane that arrived from China at Guarulhos International Airport in Guarulhos, near Sao Paulo, Brazil, on December 3, 2020. - Brazil received this Thursday the second lot with 600 liters of the CoronaVac vaccine, developed by the Chinese laboratory Sinovac Biotech. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
A previsão do custo foi passada pelo governo do estado, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (7). (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

A logística para distribuição das doses iniciais da CoronaVac que serão utilizadas pelos 645 muncípios paulistas na primeira fase da vacinação no estado de São Paulo está estimada em R$ 100 milhões. Nesta segunda (7), o governo divulgou que a imunização no estado deve começar em 25 de janeiro.

“Nós temos estimado que essa logística de distribuição será de R$ 100 milhões. Estamos contando com os 25 postos estratégicos, caminhões refrigerados e 2,1 mil viagens”, explicou Regiane de Paula, coordenadora do Centro de Controle de Doenças da secretaria estadual da Saúde.

A previsão do custo foi passada pelo governo do estado, em coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (7), quando foram divulgados detalhes do plano.

“A estratégia de a vacina sair do (Instituto) Butantan, chegar a um ponto estratégico, e enviar aos 645 municípios está estimada em R$ 100 milhões”, completou. O valor, no entanto, não inclui as seringas, agulhas necessárias.

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Com relação às agulhas e seringas, o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, garantiu que o estado já possui os insumos previstos para serem utilizados na 1ª fase e que, portanto, não será preciso fazer aquisições ou aguardar de licitações de compra.

CONFIRA A LOGÍSTICA E RECURSOS HUMANOS DA 1ª FASE

  • 18 milhões de doses da vacina

  • 25 postos estratégicos de armazenamento e distribuição regional

  • 54 mil profissionais de saúde

  • 27 milhões de seringas e agulhas

  • 5,2 mil câmaras de refrigeração

  • 30 caminhões refrigerados de distribuição diária

  • 2,1 mil viagens em todo o período de vacinação

  • 25 mil policiais para escolta das vacinas e segurança dos locais de vacinação

Detalhes da logística e do contingente envolvido foram passados pelo governo de São Paulo nesta segunda. (Foto: Reprodução/YouTube)
Detalhes da logística e do contingente envolvido foram passados pelo governo de São Paulo nesta segunda. (Foto: Reprodução/YouTube)

A primeira fase do plano prevê a aplicação de 18 milhões de doses da CoronaVac, vacina adquirida pelo governo paulista contra o novo coronavírus desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

A princípio, os grupos prioritários que receberão as doses iniciais da CoronaVac são os profissionais de saúde, pessoas acima de 60 anos, indígenas e quilombolas. Ao todo, serão 9 milhões de pessoas imunizadas nesta fase: 7,5 milhões de idosos, e 1,5 milhão de integrantes do grupo de trabalhadores da saúde, quilombolas e indígenas.

O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB), em coletiva de imprensa com detalhes do plano estadual de imunização. Na fala, Doria voltou a criticar a previsão do Ministério da Saúde de iniciar a vacinação no país somente em março.

Doria garantiu também que, a partir de 25 de janeiro, ajudará outros estados do país e cederá 4 milhões de doses de vacina contra o coronavírus. Segundo o governador, os estados interessados terão de fazer um pedido ao governo de São Paulo.

No fim de novembro, Doria já havia dito que, caso o Ministério da Saúde não apresentasse um “plano sério e bem estruturado”, o estado de São Paulo irá elaborar um plano estadual próprio para vacinar a população paulista.

A CORONAVAC E ANVISA

A CoronaVac só poderá ser aplicada a partir do dia 15 de janeiro por conta do prazo dado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para análise final da testagem da terceira fase da CoronaVac.

A vacina do Instituto Butantan ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente e o governador, prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro pelo seu próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem. Neste mês, o presidente voltou atrás e declarou que poderia autorizar a compra da vacina produzida pela Sinovac, mas não pelo preço que um "caboclo aí quer".