Vacinação em SP mostra que é preciso mais clareza nas informações sobre imunização de pessoas com deficiência

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Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Vacinacao, fala ao microfone durante entrevista coletiva. Ao lado esquerdo, esta o governador Joao Doria
Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Imunização em São Paulo, anunciou que o estado pretende imunizar pessoas com deficiência fora do BPC, mas não detalhou datas (Foto: Reprodução/Governo do Estado de SP)

Muitos municípios e estados ao redor do país avançam na imunização de pessoas com deficiência contra a covid-19. É, sem dúvida, uma boa notícia. Mas é necessário mais precisão e clareza sobre o planejamento desse cronograma. O caso do estado de são paulo ilustra muito bem essa questão.

No dia 19 de maio, o governo de SP nos brindou com uma ótima notícia: pretende vacinar todas as pessoas com deficiência até o final de junho, de acordo com as doses entregues pelo Ministério da Saúde.

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A informação foi dada por Regiane de Paula, coordenadora do Programa Estadual de Vacinação, durante coletiva. Mas, infelizmente, as informações pararam por aí. Claro: esse calendário depende das doses disponíveis - sabemos que o país não vive, digamos, uma abundância de vacinas contra covid-19.

Ao verificar o cronograma oficial de vacinação, disponível do site do governo do estado, percebemos que a apresentação possui um lapso temporal de um mês. Não existe nenhuma informação sobre junho - nem essa, mais genérica, sobre a vacinação completa de todas as pessoas com deficiência a partir dos 18 anos.

Por outro lado, temos datas específicas para outros grupos: 1 a 20 de julho (pessoas sem comorbidade entre 55 e 59 anos) e 21 a 31 de julho (Profissionais da Educação entre 18 e 46 anos). Existe algum motivo especial para não fazer uma projeção para pessoas com deficiência?

A nota oficial do governo do estado se limita a dizer: “No mês de junho, o Governo de São Paulo vai concluir a vacinação de todas as pessoas com comorbidades e com deficiência entre 18 e 39 anos de idade”, para logo enfatizar que o calendário será divulgado em breve de acordo com as doses disponíveis.

Mas a nota não deixa claro que estão incluídas também as pessoas com deficiência que não recebem BPC (benefício de prestação continuada). Essa informação foi anunciada pela própria coordenadora do Programa Estadual de Vacinação em coletiva. Até o momento, apenas pessoas com deficiências permanentes que recebem o benefício assistencial foram vacinadas em São Paulo.

Aplaudo a medida, é claro, porque esse é um critério de renda que não foi aplicado para nenhum grupo prioritário - erro cometido, inclusive, pelo Plano Nacional de Imunização do governo federal. Mas me espanta o fato da ampliação do público não ser citada com clareza pela comunicação oficial do governo do estado.

Esse desencontro de informações e falta de clareza no planejamento precisam ser corrigidos o quanto antes. A nova informação trazida pelo governo provoca ansiedade e incentiva as pessoas com deficiência a organizarem sua vida com base na imunização contra covid-19.

A novidade também mobiliza uma série de medidas, como a obtenção de um documento comprobatório da deficiência - por enquanto, o governo de SP ainda não informou quais serão exigidos para pessoas que não recebem BPC. Fico na expectativa para que essas e outras informações sejam divulgadas em breve.

Temos que celebrar o avanço da vacinação de pessoas com deficiência, mas é necessário se atentar para a importância de se comunicar de forma efetiva e clara sobre a imunização de grupos prioritários.

Descrição da imagem: Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Vacinação, fala ao microfone durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes. Ao lado esquerdo, está o governador João Doria, de braço estendido em direção ao púlpito em que está Regiane. Ambos usam máscaras pretas.

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