Vacinação reduz morte de idosos com mais de 80 anos por Covid, diz pesquisa

Redação Notícias
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Público idoso foi priorizado na vacina. Foto: Douglas Magno/AFP via Getty Images
Público idoso foi priorizado na vacina. Foto: Douglas Magno/AFP via Getty Images
  • Pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) concluiu que a vacinação reduziu as mortes por Covid-19 entre idosos com mais de 80 anos

  • Segundo o estudo, os óbitos nesta faixa etária caiu de 28% para 13,1% do total

  • O percentual de vítimas fatais acima de 80 anos é o menor desde o início da pandemia

Uma pesquisa da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) em parceria com a Universidade de Harvard concluiu que, após a vacinação, caiu pela metade a parcela de vítimas por coronavírus maiores de 80 anos.

Cientistas analisaram os números das mortes por Covid-19 com dados do Ministério da Saúde. As mortes entre maiores de 80 anos representavam 28% do total de óbitos da pandemia no Brasil até janeiro deste ano, quando foi iniciada a campanha de imunização para grupos prioritários no país.

No final de abril, o percentual recuou para 13,1%, o menor já registrado para o grupo etário desde o início da pandemia. "O que a gente está observando é que é compatível com o efeito da vacina salvando vidas", explicou Cesar Victora, pesquisador da UFPEL, em entrevista à Globo.

A queda se repetiu em quase todas as regiões do país. "A exceção foi a região Norte, onde está Manaus, que foi o lugar mais atingido pela pandemia. Lá na região Norte, no começo do ano, ao invés de as mortes de idosos de mais de 80 anos corresponderem a 25 a 30 de cada 100 mortes, lá eram apenas 18 de cada 100, porque lá morreu muita gente jovem", afirmou Cesar.

A vacina, de acordo com o estudo, também protegeu os idosos contra a variante do vírus P1, descoberta em Manaus e que se propaga mais rapidamente.

"Tinha muita dúvida entre os epidemiologistas, imunologistas, infectologistas, se a vacina Coronavac seria eficaz contra a P1, porque ela não foi desenvolvida contra ela, mas contra a primeira variante do coronavírus que apareceu no ano passado no mundo todo. Estamos mostrando que aparentemente, tudo indica, os resultados muito consistentes, de que a vacina realmente protege contra a variante P1", disse o cientista.

A pesquisa estima que quase 14 mil pessoas de 80 anos ou mais foram salvas pela vacinação durante o intervalo de oito semanas, entre meados de fevereiro e abril.

"Infelizmente a gente não conseguiu o número necessário de vacinas para começar com essa vacinação de uma forma intensa. Então, agora, o governo está adquirindo mais vacinas, então a esperança que na medida que a gente consiga aumentar a cobertura da vacinação da população, a gente consiga salvar mais vidas", declarou Marcia Castro, chefe do Departamento de Saúde Global e População da Universidade de Harvard.