Vacinas da Covid-19: Brasil deve receber três remessas de IFA neste mês

O Globo
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RIO — O Brasil deve receber neste mês três remessas do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), a matéria-prima das vacinas, dos imunizantes CoronaVac (Sinovac Biotech/Instituto Butantan) e Covishield (AstraZeneca/Universidade de Oxford) originárias da China. Peça fundamental para fazer decolar a vacinação contra a Covid-19 no país, os insumos serão utilizados pelo Butantan e pela Fiocruz na produção de um total de 24,8 milhões de doses das duas fórmulas.

Para a próxima quarta-feira, 3, está prevista a chegada da carga da Sinovac Biotech em São Paulo. O prazo havia sido antecipado pelo presidente do Butantan, Dimas Covas, na semana passada. Ontem, o material já se encontrava no Aeroporto de Pequim. São 5.400 litros do IFA da CoronaVac, quantidade capaz de produzir 8,6 milhões de doses da vacina de vírus inativado.

Nesta segunda-feira, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou em coletiva de imprensa que a China liberou mais 5.600 litros dos insumos da vacina da Sinovac. O material é suficiente para produzir mais 8,7 milhões de doses, segundo Doria. A entrega seria feita no próximo dia 10. Segundo Dimas Covas, está em curso o processo para a liberação de mais 8 mil litros em Pequim, mas ainda não há data para o envio ao Brasil.

Nos cálculos do governo de São Paulo, a produção das vacinas a partir do IFA demorará cerca de 20 dias. Isso significa que, na melhor das hipóteses, o Butantan terá a próxima remessa de vacinas disponível a partir do dia 23, enquanto a leva liberada nesta segunda-feira pelos chineses ficaria para o princípio de março. Até o momento, segundo o Butantan, a meta de entregar 8,7 milhões de doses ao Ministério da Saúde por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) até o último domingo foi cumprida.

Já no caso da vacina Covishield, cujo fornecimento ao Brasil foi firmado através de um acordo entre a anglo-sueca AstraZeneca e a Fiocruz, a primeira remessa do IFA, que permitirá a produção de 7,5 milhões de doses do imunizante, está atrasada. Ela ainda depende de liberações alfandegárias na China, segundo a instituição. O contrato firmado com a farmacêutica previa o envio dos insumos ainda em janeiro para iniciar o processo de fabricação até o dia 12 de fevereiro.

O acordo, firmado em julho do ano passado, prevê o envio de 14 lotes do IFA, totalizando 100,4 milhões de doses ate o fim do primeiro semestre. Na tentativa de contornar o atraso, o governo federal fechou a aquisição de 2 milhões de doses prontas da Covishield em dezembro com o Instituto Serum, da Índia, que também atrasaram pela demora da liberação da exportação pela Índia. Mais um acordo foi fechado em janeiro para o envio de outras 10 milhões de doses da vacina importadas do Serum.

No último sábado, a Covax Facility, coalizão global liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou que o país receberá de 10 a 14 milhões de doses da fórmula da AstraZeneca ainda neste mês.

Tanto no acordo entre o Butantan e a Sinovac quanto no contrato firmado entre AstraZeneca e Fiocruz está prevista a transferência de tecnologia para a produção nacional do IFA, o que eliminaria a dependência do Brasil de insumos importados em um momento de alta demanda global por vacinas. Na previsão da Fiocruz, o início da produção nacional pode começar no segundo semestre a depender de trâmites burocráticos. Já no caso do Butantan, a fabricação do IFA pode ser viabilizada apenas no ano que vem.