Vacinas para Covid-19: Fiocruz e Sabin avaliam eficácia de fracionar as doses de reforço

O Instituto Sabin de Vacinas e a Fiocruz Mato Grosso do Sul conduzem um estudo para avaliar a possibilidade de fracionar as doses de reforço dos imunizantes para a Covid-19. A pesquisa quer descobrir se doses menores podem oferecer a mesma resposta imunológica, com menos reações adversas. Isso possibilitaria multiplicar a oferta de vacinas, principalmente nos países mais pobres, e orientar novas estratégias de imunização.

O estudo, financiado pela Coalizão para Promoção de Inovações em prol da Preparação para Epidemias (Cepi), uma organização internacional que financia projetos de pesquisa para acelerar a produção de imunizantes, será realizado no Brasil e no Paquistão. Em cada um deles, 1.440 participantes serão dividos em grupos para receber as vacinas Pfizer (dose cheia, metade ou um terço), AstraZeneca (dose cheia ou meia) e Coronavac (dose cheia). Os voluntários serão acompanhados por seis meses.

Entre as razões para a escolha de Brasil e Paquistão estão as vacinas aplicadas nesses dois países, a disponibilidade de pacientes que ainda não tomaram a dose de reforço e parcerias sólidas no campo científico. Denise Garrett, vice-presidente de Epidemiologia Aplicada do Instituto Sabin de Vacinas, destacou a necessidade de o estudo ser conduzido com o rigor necessário, e destacou os trabalhos do grupo de pesquisa da Fiocruz Mato Grosso do Sul e da Universidade de Aga Khan, paquistanesa.

A vice-presidente do Instituto Sabin para Vacinas destaca que uma dose fracionada de reforço pode ter menos efeitos colaterais e, por consequência, aumentar a aceitação da imunização. Ela destaca ainda outro ponto: o surgimento de variantes. “Com as novas variantes, que trazem a necessidade de aplicar mais doses de reforço, é muito importante que se use a menor dose possível. Se a dose é menor, mais tolerância haverá e possivelmente mais reforços poderemos aplicar”, explicou.

Caso o estudo prove que doses fracionadas oferecem proteção semelhante à dose cheia, a quantidade de vacina disponível aumenta, levando a novas estratégias de vacinação e de alocação de imunizantes, num momento em que muitos países ainda não dispõem deles em quantidades suficientes, destaca Denise Garrett. A ideia é que a pesquisa ajude os tomadores de decisão.

O estudo para fracionamento de doses não chega a ser uma novidade. No passado, a Organização Mundial de Saúde já recomendou o fracionamento das vacinas para pólio e febre amarela, diante da escassez de imunizantes.

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