Vacinas vencidas: cidades negam ter aplicado doses de AstraZeneca fora do prazo de validade

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Prefeituras de pelo menos oito cidades negaram na tarde desta sexta-feira a aplicação de doses vencidas de vacinas da AstraZeneca contra a Covid-19. Levantamento feito com base em dados do Ministério da Saúde apontou que cerca de 26 mil pessoas podem ter sido vacinadas com o imunizante fora do prazo de validade. Essa quantidade representa 0,026% das 100 milhões de doses de vacina aplicadas até o momento no Brasil.

O estudo, publicado na "Folha de S. Paulo" nesta sexta, aponta 25.935 doses aplicadas fora do prazo de validade em 1.532 municípios. Os números foram confirmados pelo GLOBO.

Cidade que consta no levantamento com o maior número de doses aplicadas fora do prazo, Maringá informou não ter ocorrido a aplicação de imunizante vencido em nenhum morador do município. De acordo com a prefeitura, houve um problema na transmissão das informações para Brasília.

"Ocorreram problemas que já foram detectados e notificados ao Ministério da Saúde no dia 11 de junho para correção. O Ministério respondeu aos nossos e-mails e a correção no sistema será feita”, informou a prefeitura.

São Paulo aparece na lista como a terceira cidade com mais doses vencidas aplicadas: 996. A prefeitura da capital paulista, no entanto, nega a aplicação de imunizantes contra a Covid-19 que estavam fora do prazo e afirma que o município conta “com um sistema robusto para todo o manejo de seus imunobiológicos", com tripla checagem.

"Neste momento, o município está fazendo um rastreamento nas mais de 7 milhões de doses aplicadas, com a revisão de todos os lotes e vacinas cadastradas, inclusive para a detecção de eventuais falhas no momento do cadastro no sistema", diz a prefeitura, por meio de nota.

O secretário de Saúde do município do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, afirmou que a pasta iniciou um processo de verificação para certificar se alguma dose vencida foi aplicada. "Está sendo verificado se, de fato, houve alguma aplicação de doses após o vencimento. Caso isso tenha acontecido, a unidade entrará em contato com os usuários para realizar a revacinação", escreveu o secretário no Twitter.

Em nota, a Secretaria de Saúde da capital fluminense informou que todos os lotes de vacinas recebidos do Ministério da Saúde estavam dentro do prazo de validade e foram distribuídos imediatamente para as unidades de saúde. "Caso isso (a aplicação de doses vencidas) tenha acontecido, a unidade entrará em contato com os usuários para realizar a revacinação", diz o texto.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou que “faz um rigoroso acompanhamento dos processos de vacinação diariamente” e que “não há, até o momento, aplicação de imunizantes vencidos na capital”. A prefeitura da capital mineira também informa que “o que ocorreu foi o registro da data de aplicação de forma incorreta no sistema do PNI. A Secretaria Municipal de Saúde já contatou as pessoas que foram vacinadas com os lotes em questão, verificou os cartões de vacina, e não há nenhuma inconformidade”. E mais: “é importante ressaltar que em março essas mesmas informações foram divulgadas e a Prefeitura já havia esclarecido todas as questões. As equipes de vacinação são todas treinadas e está sendo feito o aperfeiçoamento do processo de lançamento das informações para evitar novos registros de aplicação em data incorreta. Trata-se de um procedimento em que as datas são digitadas individualmente pelos profissionais, uma a uma”

As prefeituras de Juiz de Fora (MG), Salvador (BA), Belém (PA) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal também negaram a aplicação de doses vencidas.

A Fiocruz, que produz o imunizante da Oxford/AstraZeneca no Brasil, informou em nota que os lotes de imunizante que estariam fora do prazo de validade não foram produzidos pela instituição.

"Parte dos lotes (com numeração inicial 4120Z) é referente aos quantitativos importados prontos do Instituto Serum, da Índia, chamada de Covishield, e entregues pela Fiocruz ao Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde em janeiro e fevereiro deste ano. Os demais lotes apontados foram fornecidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS)", diz o texto.

A Fiocruz diz ainda que vai buscar informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas àqueles que tiverem tomado vacina vencida.

Ao GLOBO, o Ministério da Saúde informou em nota que nenhuma dose de vacina foi entregue aos estados e Distrito Federal vencida. E que “acompanha rigorosamente todos os prazos de validade das vacinas Covid-19 recebidas e distribuídas pela pasta”. Também informou que, “conforme pactuado com Conass e Conasems, as doses entregues para as Centrais Estaduais devem ser imediatamente enviadas aos municípios pelas gestões estaduais. Cabe aos gestores locais do SUS o armazenamento correto, acompanhamento da validade dos frascos e aplicação das doses, seguindo à risca as orientações do Ministério”.

A nota oferece ainda uma orientação caso alguma vacina seja administrada após o vencimento: “segundo a orientação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), essa dose não deverá ser considerada válida, sendo recomendado um novo ciclo vacinal, respeitando um intervalo de 28 dias entre as doses. O vacinado deverá ser acompanhado pela Secretaria de Saúde local”.

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