Vacinas vencidas: Prefeitura do Rio nega aplicação de doses fora da validade e afirma que foi erro do sistema

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A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) informou que, após a rechecagem dos dados de todos os 756 casos de vacinação com suspeita de aplicação de doses fora da validade, constatou que nenhuma de suas unidades recebeu ou aplicou vacinas vencidas. O problema teria se originado por conta de erros no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde, e a grande maioria já estaria corrigida. Os demais estão em processo de ajustes.

Antes da confirmação, a SMS havia criado um serviço para orientar os moradores da cidade. Como as aplicações suspeitas integram uma fatia de apenas 0,018% entre as 4.190.072 doses já recebidas pelos cidadãos do Rio, caso alguma aplicação após o fim do prazo de validade dos imunizantes tivesse sido confirmada, a pessoa seria convocada para a revacinação, como é recomendado pelos órgãos de Saúde. Porém, até o momento, o órgão já conseguiu contactar 741 pacientes e em nenhum desses casos houve aplicação de dose fora da data de validade do imunizante.

Os outros 15 registros seguem em investigação, pois não houve sucesso nas tentativas de contato com os usuários, mas não há qualquer indício de que houve aplicação com doses vencidas nestes casos.

Um levantamento realizado pelos pesquisadores Sabine Righetti, da Unicamp, e Estêvão Gamba, da Unifesp, e publicado nesta sexta-feira (2) pelo jornal "Folha de S. Paulo", revelou que ao menos 26 mil brasileiros podem ter recebido doses vencidas da vacina AstraZeneca contra a Covid-19, com base no cruzamento de dados oficiais do governo federal. O estudo aponta que são 1.764 possíveis casos no Rio. A Secretaria Municipal de Saúde manifestou já que recebeu todos os lotes de vacinas do Ministério da Saúde dentro do prazo de validade e os distribuiu imediatamente para as unidades de saúde.

O estudo indica que o problema ocorreu com doses de oito lotes da vacina. O Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19 (Giac), da Procuradoria da República, pediu, na última sexta-feira ao Ministério da Saúde e à Anvisa, informações sobre eventual aplicação de doses de vacina da AstraZeneca fora do prazo de validade. A PGR deu cinco dias para os órgãos responderem.

Em nota conjunta, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) dizem que todos os casos serão investigados e que "não está descartado erro do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, que desde o início da Campanha de Vacinação apresenta instabilidade no registro dos dados". O Ministério da Saúde informou que todas as doses são enviadas dentro do prazo e que, caso aplicações fora do período ocorram, é preciso passar por uma nova aplicação "respeitando um intervalo de 28 dias entre as doses".

Também em nota, a Fiocruz informou que esclareceu que os referidos lotes não foram produzidos pela instituição, e que parte dos lotes (com numeração inicial 4120Z) é referente aos quantitativos importados prontos do Instituto Serum, da Índia, chamada de Covishield, e entregues pela Fiocruz ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde (MS) em janeiro e fevereiro deste ano:

"Os demais lotes apontados foram fornecidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS). Todas as doses das vacinas importadas da Índia (Covishield) foram entregues pela Fiocruz em janeiro e fevereiro dentro do prazo de validade e em concordância com o MS, de modo a viabilizar a antecipação da implementação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, diante da situação de pandemia. A Fiocruz está apoiando o PNI na busca de informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas pelo Programa àqueles que tiverem tomado a vacina vencida", diz um trecho do comunicado.

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